4 março, 2026

Vorcaro tinha ‘milícia privada’ e pagava para intimidar desafetos: ‘moer essa vagabunda’



LUCAS MARCHESINI, JOSÉ MARQUES E ADRIANA FERNANDES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A PF (Polícia Federal) afirmou que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantinha uma milícia privada com o objetivo de coagir e ameaçar seus desafetos.

O grupo contava com um sicário, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e um ex-policial federal, Marilson Roseno da Silva. Ambos foram alvos de mandado de prisão preventiva nesta quarta-feira (4), assim como Vorcaro.

Sicário é um termo que vem do espanhol e que significa assassino de aluguel. Todos formavam um grupo chamado de “A Turma”, na qual as medidas planejadas eram discutidas.

Em troca dos serviços para Vorcaro, Mourão receberia R$ 1 milhão por mês, aponta o relatório do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça que determinou as prisões.

Esse valor era então redistribuído por Mourão para diversos integrantes da sua rede.

O documento cita diálogos entre Mourão e Vorcaro no qual o banqueiro autoriza medidas violentas contra adversários.
Entre elas, está a simulação de uma tentativa de assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, como forma de intimidação.

“Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, escreveu Vorcaro, segundo trecho reproduzido no processo.

Outra troca de mensagem discute formas de intimidar um ex-funcionário de Vorcaro que teria feito uma gravação indesejada do banqueiro.

O banqueiro manda o sicário “levantar tudo” do seu ex-empregado e de um chefe de cozinha ligada a ele.

Depois disso, Vorcaro determina que seria “bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar”.

O banqueiro se queixa a Mourão de uma outra empregada sua identificada como Monique que o estaria ameaçando. “Tem que moer essa vagabunda”, escreveu Vorcaro. Mourão responde perguntando o que deveria fazer e o dono do Banco Master determina que era para puxar endereço e tudo relativo a Monique.
O ex-PF Marilson é apontado no relatório de Mendonça como “integrante relevante da estrutura paralela de monitoramento e intimidação” de Vorcaro.

Ele usaria sua experiência e contatos adquiridos durante sua carreira na PF para obter dados sensíveis e vigiar alvos do grupo.

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