16 março, 2026

Vídeos clandestinos abalam campanha na Eslovénia: “Ataque à democracia”



O Partido Democrático Esloveno (SDS), do ex-primeiro-ministro conservador Janez Jansa, lidera as sondagens, à frente dos liberais de centro-esquerda do Movimento Liberdade do primeiro-ministro no poder, Robert Golob, embora a diferença entre os adversários se tenha reduzido nos últimos meses.

No início de março, gravações clandestinas de conversas com um influente lobista esloveno, um advogado, um ex-ministro e um empresário foram anonimamente divulgadas nas redes sociais.

Esses vídeos mostram os envolvidos a sugerir formas de influenciar os decisores do Governo de centro-esquerda de Golob para agilizar procedimentos ou garantir contratos.

Algumas das pessoas envolvidas declararam que foram filmadas sem o seu conhecimento durante reuniões com interlocutores que afirmavam ser representantes de investidores estrangeiros e que foram manipuladas para comprometer tanto os investidores como as autoridades.

Hoje, numa conferência de imprensa, uma organização de defesa dos direitos humanos, acompanhada de um jornalista de investigação e dois investigadores, afirmou que a empresa israelita Black Cube, especializada em informações secretas, está por detrás dos vídeos e tem ligações ao partido da oposição SDS, de Jansa.

“É um ataque direto à nossa soberania”, declarou a ministra dos Negócios Estrangeiros eslovena, Tanja Fajon, à comunicação social, quando questionada sobre tais alegações.

“É um ataque à democracia”, se se provar a ingerência estrangeira, sublinhou a ministra.

Nika Kovac, diretora da organização de defesa dos direitos humanos Instituto 8 de Março, disse que os vídeos eram “muito semelhantes aos divulgados antes das eleições noutros países da Europa e do mundo, e atribuídos principalmente à empresa de informações secretas Black Cube”.

O jornalista de investigação Borut Mekina, do semanário Mladina, afirmou na mesma conferência de imprensa ter descoberto que os executivos da Black Cube visitaram Liubliana três vezes no final de 2025.

Na última visita, a 22 de dezembro, o líder da oposição, Janez Jansa, recebeu-os pessoalmente na sede do SDS, indicou Mekina, citando fontes não-identificadas.

O partido SDS, de Jansa, declarou num comunicado nunca ter ouvido falar da Black Cube e condenou “a corrupção sem precedentes da elite de esquerda”, revelada, na sua opinião, pelos vídeos.

A Presidente da Eslovénia, Pirc Musar, também reagiu, afirmando que o país entrou para a lista dos países afetados por campanhas de desinformação e alegada ingerência estrangeira no período que antecede eleições.

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