
“Pode-se imaginar trazer gás natural liquefeito (GNL) para um terminal no sul de Moçambique, construir uma central a gás e exportar eletricidade [para a África do Sul], usando parte da energia também para Moçambique”, disse Patrick Pouyanne na apresentação de resultados relativos ao ano passado.
“Precisamos de encontrar um bom equilíbrio entre as exportações e o desenvolvimento local”, afirmou Pouyanne, citado pela agência de informação financeira Bloomberg, acrescentando que a TotalEnergies deve “contribuir para o fornecimento de energia no continente”.
O consórcio Mozambique LNG retomou oficialmente a 29 de janeiro a construção do projeto de produção e exportação de GNL na baía de Afungi, suspenso desde abril de 2021, quando a TotalEnergies acionou a cláusula de ‘força maior’ devido aos ataques terroristas.
Quatro anos e meio depois, em outubro de 2025, após reconfirmado o financiamento internacional ao projeto e alegando melhorias das condições de segurança na zona, a TotalEnergies, líder do consórcio da Área 1 da Bacia do Rovuma, levantou a cláusula e iniciou o processo de retoma.
A TotalEnergies indica que a primeira entrega de GNL da primeira linha a instalar em Afungi passou de julho de 2024, como estava previsto antes da paragem, para o primeiro semestre de 2029.
Moçambique tem três megaprojetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de GNL da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado, incluindo este da TotalEnergies e outro da ExxonMobil (18 milhões de toneladas por ano (mtpa)), de 30 mil milhões de dólares (26,1 mil milhões de euros) que aguarda decisão final de investimento, ambos na península de Afungi.
Soma-se o da italiana Eni, que já produz desde 2022, cerca de sete mtpa, a partir da plataforma flutuante Coral Sul, que será duplicada a partir de 2028 com a segunda plataforma Coral Norte, num investimento de 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros).
Em 2024, a Total comprou participações em projetos hidroelétricos no Uganda, onde também tem um oleoduto que deverá começar a exportar este ano.
A TotalEnergies obteve um lucro líquido de 13.100 milhões de dólares (cerca de 11.000 milhões de euros à taxa de câmbio atual) em 2025, menos 17% face a 2024.
De acordo com os resultados divulgados em comunicado, o resultado líquido ajustado do grupo, que exclui elementos não recorrentes, foi de 15.600 milhões de dólares, o que representa uma queda de 15%.



