
Numa declaração final, os organizadores da conferência sobre o Sudão – Alemanha, França, Reino Unido, Estados Unidos, União Africana (UA) e União Europeia (UE) – especificaram que metade do montante prometido (750 milhões de euros) virá da UE e dos seus Estados-membros.
O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, cujo país prometeu sozinho mais de 230 milhões de euros, vê nessa ação um “sinal positivo” num contexto de declínio da ajuda humanitária global.
Os esforços diplomáticos liderados pelo “Quad” (Estados Unidos, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Egito) falharam até agora, com ambos os lados em conflito a continuarem a disputar o controlo do país.
A Arábia Saudita, o Egito e a Turquia são acusados de apoiarem o exército sudanês, e os Emirados Árabes Unidos são acusados de armar os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) e a Etiópia de lhes ceder espaço de treino.
No entanto, todos negam envolvimento direto nas hostilidades.
Também hoje, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, exigiu o fim das “ingerências externas e do fluxo de armas que alimentam” o conflito.
Os participantes reunidos em Berlim apelaram a “todos os atores com influência sobre as partes em conflito” que “intensifiquem a pressão” sobre as mesmas, contextualizou Wadephul.
Segunda-feira, duas missões da ONU e da UA sobre o conflito anunciaram ter concluído que o exército e as RSF cometeram crimes graves e violaram o direito internacional humanitário.
“Investigações da Missão Internacional Independente de Inquérito da ONU para o Sudão e da Missão de Inquérito da Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (ACHPR) da União Africana sobre a Situação dos Direitos Humanos no Sudão concluíram que as Forças Armadas Sudanesas e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido, bem como os seus aliados, são responsáveis por violações graves do direito internacional humanitário e dos direitos humanos de intensidade variável”, comunicou hoje o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Entre as violações mencionadas na nota de imprensa estão assassínios, detenções arbitrárias, tortura e o uso generalizado de ataques indiscriminados, incluindo ataques aéreos, bombardeamentos e ataques de ‘drones’ (aeronaves não-tripuladas) em áreas povoadas.
Segundo dados da ONU, o conflito que se iniciou em 15 de abril de 2023 já deslocou pelo menos 14 milhões de pessoas, sendo que nove milhões são deslocados internos e 4,4 refugiados em países vizinhos.
Por outro lado, quase 34 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária no Sudão, “o número mais elevado do mundo”, alertou hoje a Coordenadora Humanitária da ONU no país.
Sexta-feira, em declarações à Lusa, o porta-voz da ONU Seif Magango alertou que as partes em conflito no Sudão estão a recrutar crianças, um fenómeno que, acrescentou, poderá comprometer o futuro do país.




