
Stephen Kornfeld, um médico do Oregon, nos Estados Unidos, embarcou no navio de cruzeiro Hondius, na Argentina, a pensar que iria ter as férias da sua vida… mas acabou por se tornar no médico de serviço.
O norte-americano, conta a CNN, queria explorar as ilhas remotas e observar de perto animais selvagens, no Oceano Atlântico, e viu as férias interrompidas apenas algumas semanas depois devido ao surto de hantavírus.
“Acabei por assumir o papel de médico do navio”, disse o homem a bordo da embarcação.
Kornfeld contou que, quando soube que um dos passageiros do navio tinha adoecido, perguntou ao médico de serviço se precisava de ajuda. O doente, um homem de 70 anos dos Países Baixos, acabou por morrer dias depois, sendo a primeira vítima mortal do vírus.
“Ao longo de 12 a 24 horas, tornou-se claro que havia várias pessoas doentes e que o seu estado de saúde estava a piorar”, recordou o médico.
A mulher do neerlandês, que morreu num hospital em Joanesburgo, na África do Sul, quando tentava regressar a casa, “apresentava sintomas inespecíficos”, como “muita confusão mental e muita fraqueza”.
Já outras duas pessoas, incluindo o médico do navio, “apresentaram muitos sintomas virais comuns”, incluindo “febre, fadiga, rubor, alguns problemas gastrointestinais e alguma falta de ar.”
“Na altura, nenhum deles parecia estar gravemente doente. Mas o receio com o hantavírus é que a pessoa pode passar de gravemente doente para criticamente doente muito rapidamente”, destacou.
O médico do navio foi transferido para um hospital em Joanesburgo no mês passado, onde permanece nos cuidados intensivos, mas o seu estado de saúde está a melhorar.
Dr. Stephen Kornfeld, who stepped in to care for sick passengers on the Hantavirus-hit cruise ship, tells @ErinBurnett about whether he worries he too will contract the virus. Watch his interview from on board the ship. pic.twitter.com/jUhTjpPeE0
— Erin Burnett OutFront (@OutFrontCNN) May 8, 2026
O surto de hantavírus no navio cruzeiro MV Hondius já causou três mortes e há cinco outros casos suspeitos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera baixo o risco para a população mundial.
A empresa proprietária do navio e organizadora do cruzeiro, a Oceanwide Expeditions, informou na quinta-feira que “não existem indivíduos sintomáticos a bordo” do Hondius, que partiu ao final da tarde de quarta-feira de Cabo Verde em direção às Ilhas Canárias, especificamente para o porto de Granadilla, em Tenerife, viagem com a previsão de demorar entre três e quatro dias.
Os hantavírus são vírus zoonóticos, caracterizados por infetar roedores, e diferentes espécies circulam na Europa, na Ásia e no continente americano. Apenas algumas das espécies estão associadas a infeção humana, caso em que podem causar doença grave.
Não existe vacina nem tratamento específico para este vírus, cuja estirpe dos Andes, detetada em passageiros do cruzeiro infetados, é a única em que se conhecem casos de transmissão entre humanos.
O cruzeiro onde foram registados os casos e, até agora, três mortes zarpou de Ushuaia, na Patagónia, a 1 de abril, para uma viagem através do oceano Atlântico, e os investigadores querem determinar se o contágio aconteceu em terra (na Argentina, no Chile ou no Uruguai), através de roedores, ou já a bordo do navio.
Acompanhe aqui AO MINUTO todos os desenvolvimentos relacionados com o surto de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro Hondius.
Notícias ao Minuto | 07:53 – 08/05/2026



