
“Como parte do exercício das forças nucleares, foram entregues munições nucleares a depósitos de campanha de uma brigada de mísseis na Bielorrússia”, disse o Ministério da Defesa russo num comunicado citado pela agência noticiosa espanhola Europa Press (EP).
Face à crescente tensão sobre o alegado envolvimento da Bielorrússia na guerra russa contra a Ucrânia, Minsk assegurou que os exercícios nucleares “não são dirigidos a terceiros países nem representam uma ameaça para a segurança regional”.
A Rússia e a aliada Bielorrússia iniciaram na terça-feira três dias de exercícios e de treino de forças nucleares, mobilizando milhares de homens em território bielorrusso.
Os serviços de segurança ucranianos confirmaram hoje o reforço da defesa nas regiões do norte que fazem fronteira com a Bielorrússia, evocando a ameaça de um novo ataque a partir do território do aliado da Rússia.
As medidas, “sem precedentes pelo número de forças e de recursos mobilizados”, segundo o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), visam “constituir um meio de dissuasão eficaz contra qualquer ação ou operação agressiva do inimigo [russo] e do seu aliado”.
Abrangem cinco regiões, incluindo as de Chernigiv, Kyiv e Rivne, precisou o SBU, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Há várias semanas que Kyiv manifesta o receio de que a Rússia possa utilizar a Bielorrússia para lançar uma nova ofensiva a partir do norte, inclusive em direção à capital ucraniana.
A Bielorrússia permitiu que as forças de Moscovo utilizassem o seu território para lançar a invasão em grande escala contra a Ucrânia em fevereiro de 2022.
Ao anunciar o reforço da segurança na quarta-feira, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou que Kyiv estava “a preparar respostas para todos os cenários possíveis de ações do inimigo”.
A Rússia negou qualquer intenção de lançar ataques a partir de território bielorrusso e acusou Kyiv de procurar “um aumento da tensão”.
O Ministério da Defesa russo disse que o apoio às unidades de mísseis bielorrussas no treino de combate “inclui a receção de munições especiais para os sistemas Iskander-M”.
Inclui também “a respetiva carga nos mísseis portadores e a deslocação dissimulada para a zona de destacamento designada para preparar os lançamentos”.
Na segunda-feira, Minsk informou que as Forças Armadas bielorrussas iniciaram os treinos militares com armamento nuclear para “melhorar a preparação” no emprego de “meios de destruição modernos que incluem munições especiais”.
A série de exercícios centra-se no “uso operacional de armas nucleares e de apoio nuclear” sob a supervisão do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e do vice-ministro da Defesa, explicou o ministério bielorrusso em comunicado.
As manobras visam “aperfeiçoar o nível de preparação do pessoal, verificar a disponibilidade dos meios de guerra e material de combate para o cumprimento das missões e organizar o emprego de combate a partir de áreas não programadas”.
A invasão russa da Ucrânia já causou centenas de milhares de mortos, tornando-se o conflito mais mortífero na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).



