
“Não vou falar sobre como o traríamos para aqui. Porque é que eu diria à imprensa quais são os nossos planos a este respeito?”, declarou Rubio aos jornalistas em Miami, antes de iniciar uma viagem oficial à Suécia, para participar na cimeira de ministros de Negócios Estrangeiros, e à Índia.
“Ora, nesta altura, ele tornar-se-á um fugitivo da justiça americana e, se houver algum anúncio a esse respeito, informá-lo-emos mais tarde, não antes”, acrescentou o chefe da diplomacia norte-americana.
As declarações surgem um dia depois de o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ter acusado formalmente Raúl Castro, de 94 anos, de homicídio, conspiração para matar cidadãos norte-americanos e destruição de aeronaves, no âmbito do abate de dois aviões da organização anticastrista Brothers to the Rescue, em fevereiro de 1996.
O antigo líder cubano era então ministro da Defesa de Cuba.
Segundo Rubio, as provas reunidas pelas autoridades norte-americanas “são claras”, alegando que Castro “admite abertamente e se vangloria de ter abatido civis e dado a ordem para abater aeronaves civis”.
No centro da investigação está uma gravação áudio de junho de 1996, divulgada pela imprensa espanhola, na qual Raúl Castro alegadamente admite ter ordenado o abate das aeronaves “no mar”, sem consulta prévia.
O caso alimentou especulações sobre uma eventual tentativa de captura de Castro por parte da administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, numa estratégia comparada por analistas e meios de comunicação à operação conduzida pelos Estados Unidos contra o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, detido este ano no âmbito de acusações de narcotráfico.
A acusação contra Raúl Castro representa mais um passo na pressão exercida por Washington sobre Havana, numa altura em que a administração Trump endureceu sanções económicas e energéticas contra a ilha.
O Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, considerou na quarta-feira que a acusação tem motivações políticas, carece de fundamento jurídico e procura “justificar” uma futura agressão militar norte-americana contra Cuba.



