
O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, quer ouvir do primeiro-ministro se garantir os apoios às populações afetadas pelas tempestades vai implicar um défice. Na Grande Entrevista da RTP, o líder do PS disse acreditar que “é possível” ter o melhor dos dois mundos, já que a União Europeia deu o aval para alguma flexibilidade orçamental.
“Eu queria ainda conhecer a posição do Governo, porque eu ouvi duas vozes distintas no Governo acerca desta matéria”, afirmou, referindo-se ao ministro da Economia, que “veio dizer que era necessário mobilizar os apoios para a recuperação e para a resposta de emergência nesta fase” e ao ministro das Finanças, que teve uma “posição distinta”.
Na mesma entrevista, na RTP, José Luís Carneiro explicou que pretende esclarecer isso junto do primeiro-ministro, nomeadamente no debate quinzenal desta quinta-feira: “Vi o Governo com duas posições, por isso vai ser muito importante a posição e a clarificação por parte do primeiro-ministro.”
“Da parte do PS, o primeiro-ministro contará com todo o apoio para que não faltem os apoios necessários e indispensáveis às famílias, aos trabalhadores, às empresas e às autarquias”, assegurou também.
Se isso vai implicar algum défice, “é um assunto que o Governo terá de esclarecer”, acrescenta José Luís Carneiro.
“Tenho de questionar primeiro o primeiro-ministro sobre como pretende garantir esses dois pressupostos: o pressuposto de responder às necessidades das populações e, por outro lado, garantir a segurança estrutural das contas públicas”, esclareceu o secretário-geral do PS, que diz que “é possível”, do seu “ponto de vista”, o melhor dos dois mundos.
“Do meu ponto de vista é possível, tendo em conta uma decisão tomada pela União Europeia e tendo em conta a vontade que há de reorientar fundos europeus, fontes de financiamento europeias, quer dos fundos comunitários que vão até 2030, quer também do próprio Plano de Recuperação e Resiliência e, naturalmente, mobilizando também apoios do próprio Estado”, frisou.
“Nós entendemos que o Governo, em circunstância alguma, deve faltar aos compromissos assumidos de apoiar as famílias, os trabalhadores, as empresas e as autarquias. A União Europeia já deu uma grande ajuda ao mostar que estes apoios são tomados de uma vez só”, defendeu.
“Eu diria que o Governo tem condições para manter a estabilidade das contas públicas, manter os objetivos em relação ao défice orçamental e também em relação à dívida pública”, sustentou também.
[Notícia em atualização]
Mau tempo terá “custo orçamental”, mas “país deve manter o equilíbrio”
O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, admitiu hoje que os danos causados pelo mau tempo terão um “custo orçamental significativo”, mas garantiu que o Governo irá fazer tudo para evitar o regresso ao défice.
Lusa | 21:58 – 06/02/2026



