
Segundo um comunicado da presidência libanesa, Aoun agradeceu a Rubio o “apoio dos Estados Unidos ao Líbano”, antes do reatamento das conversações de paz com Israel, agendado para segunda-feira em Washington, após uma das vagas mais mortíferas de ataques israelitas no país vizinho, que deixou pelo menos 47 mortos e quase uma centena de feridos.
Aoun destacou a necessidade de respeitar a trégua alcançada em meados de abril com Israel e prorrogada em diversas ocasiões para “restaurar a segurança, a estabilidade, a soberania e a integridade territorial do Líbano”.
O comunicado relata que o chefe da diplomacia de Washington “reafirmou o apoio dos Estados Unidos ao Líbano e o seu empenho em trabalhar para alcançar a segurança e a estabilidade, estender a autoridade do Estado a todo o seu território” e apoiar as suas instituições de segurança e militares.
No seguimento da ofensiva israelita de hoje, já em pleno cessar-fogo acordado por Estados Unidos e Irão num memorando de entendimento que inclui o Líbano, Joseph Aoun tinha criticado a escalada dos ataques das forças israelitas, advertindo que o aumento da violência é “perigoso e condenável” e “mina praticamente todas as tentativas em curso” para consolidar a trégua e pôr fim à guerra.
“O que estamos a testemunhar hoje no sul do país e no Vale do Bekaa é uma expansão da agressão israelita e mais mortes e destruição”, declarou num comunicado publicado nas redes sociais.
Para o líder libanês, um cessar-fogo abrangente é a porta de entrada para abordar outras questões, a mais importante das quais é a retirada israelita do sul do seu país e a devolução de prisioneiros.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, justificou hoje que o exército atacou o grupo xiita Hezbollah “com força”, numa ação que descreveu como resposta à morte de quatro soldados num ataque no sul do Líbano.
O memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irão, assinado eletronicamente esta semana pelos seus presidentes, Donald Trump e Masoud Pezeshkian respetivamente, estipula “o termo imediato e permanente das operações militares em todas as frentes”, incluindo o Líbano, onde Israel e o Hezbollah, aliado de Teerão, se confrontam há mais de três meses.
O texto prevê também que a integridade territorial libanesa deve ser garantida, referindo-se à presença no sul do país de tropas de Israel, que tem expressado oposição ao acordo de paz com Teerão e à retirada militar do país vizinho.
As agências internacionais Associated Press e France-Presse, bem como a imprensa israelita, noticiaram hoje à tarde, citando fontes norte-americanas e regionais, que Israel e o Hezbollah aceitaram uma trégua no Líbano, mas as partes ainda não confirmaram o acordo e os relatos de confrontos prosseguem.
A continuação das hostilidades entre Israel e o Hezbollah, em plena fase final das negociações preliminares com o Irão, levou Donald Trump a criticar publicamente o aliado israelita.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, país mediador nas negociações entre Teerão e Washington, e do Irão manifestaram pelo seu lado preocupação com as violações do cessar-fogo de Israel.
“Ambos os líderes trocaram opiniões sobre os desenvolvimentos regionais e destacaram as violações do cessar-fogo cometidas por Israel no Líbano, expressando a sua profunda preocupação com a situação”, relatou a diplomacia de Islamabad, após a conversa telefónica dos dois dirigentes.
Como consequência imediata da continuação do conflito no Líbano, o início das negociações finais entre Washington e Teerão, agendado para a Suíça, foi adiado.
Além do fim imediato das hostilidades, o memorando de entendimento prevê a reabertura do tráfego marítimo no estreito de Ormuz e o fim do bloqueio naval norte-americano aos portos do Irão, que está desde já autorizado a retomar as vendas de bens petrolíferos.
Durante dois meses, as partes deverão prosseguir as negociações com vista a um acordo de paz final, centradas no programa nuclear iraniano e no destino do seu urânio enriquecido, em troca do levantamento de sanções, libertação de fundos congelados no exterior e um fundo de 300 mil milhões de dólares (260 mil milhões de euros) para a reconstrução do Irão.
O Líbano foi arrastado pelas milícias xiitas libanesas para a nova guerra na região ao reatarem, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.
Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho desde o conflito anterior.
Desde 02 de março, pelo menos 3.912 pessoas morreram e 12.001 ficaram feridas, segundo a última atualização do Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que causaram também acima de um milhão de deslocados.
As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra na Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.
Israel e o Governo do Líbano têm desenvolvido conversações inéditas de paz com o patrocínio de Washington, que no entanto não foram reconhecidas pelo Hezbollah, tal como a trégua entretanto acordada pelos negociadores libaneses e israelitas.



