
“Este tipo de ações agressivas não beneficiará o inimigo sionista [Israel], os Estados Unidos ou os seus aliados. Pelo contrário, só agravará a situação e poderá desencadear consequências incontroláveis que acabarão por afetar o mundo inteiro”, advertiu na rede social X.
Esta declaração ocorre no mesmo dia em que, segundo a agência de notícias iraniana Tasnim, Israel e os Estados Unidos atacaram refinarias de gás iranianas na Zona Económica Especial de South Pars, em Asalouye, na costa sul do país.
A instalação atacada é, juntamente com o Campo Norte adjacente que partilha com o Qatar, o maior do mundo.
O Irão prometeu retaliar, num contexto que considera de “guerra económica total” e uma escalada desde o início da ofensiva aérea dos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, em 28 de fevereiro.
“A partir desta noite, as linhas vermelhas mudaram. Se o inimigo pensava que com estes ataques poderia aumentar a pressão sobre o Irão para o obrigar a recuar, cometeu um erro fatal de cálculo”, alertaram fontes militares citadas pela agência noticiosa Fars.
Teerão acusa os países do Golfo de permitirem que as forças norte-americanas utilizem os seus territórios para lançar os seus bombardeamentos e, no rescaldo do ataque ao campo de gás de South Pars, colocou sob ameaça “as infraestruturas de combustíveis, energia e gás” dos seus vizinhos na região, segundo um comunicado do Centro de Comando Conjunto, Khatam al-Anbiya.
A televisão estatal divulgou uma lista de potenciais alvos, incluindo instalações de petróleo e gás na Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos, afirmando que “se tornaram alvos diretos e legítimos e serão alvejadas nas próximas horas”.
Todos estes países já relataram ataques contra instalações energéticas, após as ameaças hoje dirigidas por Teerão.
Desde 28 de fevereiro, o Irão realizou ataques aéreos com mísseis e drones contra Israel e os países da região, visando em particular bases militares norte-americanas, mas também infraestruturas económicas, e colocou sob ameaça o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo e petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
O Presidente iraniano confirmou também a morte do ministro com a tutela dos serviços de informação do país, Ismail Khatib, num ataque aéreo israelita na noite de terça-feira.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, disse pelo seu lado e igualmente na rede X, que “Israel está a ignorar as consequências da normalização dos seus atrozes métodos de terror”, mas observou que “a comunidade internacional não deve ignorar esta imprudência, porque toda a ação conduz inevitavelmente a uma reação”.
Na sua mensagem, criticou porém o silêncio internacional “quando se trata de Israel”, em relação ao qual “as regras habituais do jogo parecem não se aplicar” e “os próprios guardiões da ‘lei e da ordem’ permanecem em silêncio, tergiversam ou, pior, fornecem armas e apoio”.



