
“O drone que se despenhou na quinta-feira à noite em Galati é um Geran-2, de origem russa. Esta é a conclusão inequívoca do relatório técnico elaborado pelos peritos do Estado romeno”, escreve Dan, numa mensagem na rede social X (antigo Twitter).
A publicação é acompanhada de quatro imagens nas quais se veem os alegados fragmentos recuperados.
O chefe de Estado diz ter sido realizada uma perícia técnica completa que demonstra a “exclusiva responsabilidade” de Moscovo, referindo que o aparelho tem a inscrição, em cirílico, de “Geran-2”.
“A análise das componentes eletrónicas, dos sistemas de navegação, dos módulos de controlo, do motor e dos elementos estruturais revela semelhanças – ou mesmo características idênticas – aos de outros drones Geran-2” identificados como tendo sido fabricados na Federação Russa.
Drona prǎbușitǎ joi noapte la Galați este Geran-2, de proveniențǎ ruseascǎ. Aceasta este concluzia fǎrǎ dubiu a raportului tehnic finalizat de specialiștii statului român.
Ancheta a stabilit acest lucru pe baza unui ansamblu consistent de probe tehnice.
Pe fragmentele… pic.twitter.com/0ICBAEpSF6
— Nicușor Dan (@NicusorDanRO) May 31, 2026
Antes da apresentação destas conclusões, a Rússia acusou Kyiv de ter montado uma provocação e exigiu provas da origem do aparelho.
Na sexta-feira, em Astana, no Cazaquistão, o presidente russo, Vladimir Putin, mostrou-se disponível para ordenar uma “investigação objetiva” ao primeiro incidente deste tipo com feridos em território de um Estado-membro da União Europeia (UE) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).
Putin disse que “ninguém pode afirmar com certeza qual é a origem do drone até que os destroços sejam examinados”, referindo que não seria a primeira vez que um drone ucraniano cai num país vizinho.
Na publicação de hoje, o presidente romeno afirma que “as análises físicas e químicas confirmaram a presença” dos mesmos tipos de “materiais e combustíveis” que foram identificados sucessivamente noutros aparelhos que caíram na Roménia desde o início do conflito na Ucrânia.
Na sexta-feira à noite, o ministro da Defesa romeno, Radu-Dinel Miruta, já tinha afirmando que, “com base nos números de série dos componentes encontrados no local”, se tratava “sem dúvida de um produto de fabrico russo”.
O drone colidiu contra o décimo andar de um edifício residencial em Galati, uma cidade no leste da Roménia perto da fronteira com a Ucrânia, e provocou um incêndio que causou ferimentos ligeiros a duas pessoas.
Um rapaz de 14 anos e uma mulher de 53 anos foram hospitalizados.
O aparelho entrou no espaço aéreo romeno no momento em que o Exército russo atacava a Ucrânia, sublinharam as autoridades romenas.
A carga explosiva detonou por completo, disseram os bombeiros romenos, que conseguiram extinguir o incêndio provocado pelo impacto do aparelho.
A Roménia, membro da NATO e da UE, partilha uma extensa fronteira com a Ucrânia e tem registado vários incidentes relacionados com a guerra desencadeada pela Rússia, incluindo a queda de destroços de drones em zonas próximas da fronteira.
A UE condenou prontamente o incidente, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a acusar a Rússia de ter “cruzado uma nova linha”.
Na sexta-feira, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, disse que a aliança está “pronta para defender cada centímetro quadrado do território dos aliados”, manifestando “solidariedade absoluta” em relação à Roménia.
A Aliança destacou o efeito dissuasor das mensagens, bem como de respostas graduais, um conceito que permite uma escalada de medidas proporcional à gravidade da ameaça.
O artigo 5.º do Tratado do Atlântico Norte estipula que um ataque armado contra um país membro é considerado um ataque dirigido a todos.
Este artigo só foi utilizado uma vez, em 2001, após os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos.
Segundo uma explicação publicada no ‘site’ da Aliança, o artigo 5.º “sustenta todas as mais amplas atividades da NATO no domínio da dissuasão e da defesa, incluindo a realização regular de exercícios militares e o destacamento de forças militares permanentes”.



