10 fevereiro, 2026
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PCP espera retirada do pacote laboral antes de ir a Belém



Em conferência de imprensa após uma reunião do comité central do PCP, em Lisboa, Paulo Raimundo foi questionado sobre o que espera que o Presidente da República eleito, António José Seguro, faça em relação ao pacote laboral.

 

Raimundo respondeu que que tem a expectativa de que o Governo “tenha o bom senso de retirar este pacote laboral da discussão” para que nem chegue ao Palácio de Belém.

“Eu acho que nem vale a pena chegarmos a esse extremo. Acho que nem vale a pena o novo Presidente da República ser confrontado com um documento que não tem pernas para andar, nem pode andar”, defendeu, insistindo que o anteprojeto do Governo “é para ser retirado”.

Questionado sobre se o PCP se arrependerá de ter apoiado Seguro na segunda volta caso este promulgue estas alterações à lei laboral, Raimundo disse que o partido não se arrepende e está satisfeito por ter apelado à derrota de um candidato com um “projeto antidemocrático e em confronto com a Constituição”, mas ressalvou não ter ilusões sobre o chefe de Estado eleito.

“Não temos ilusões sobre mais nada”, garantiu, porém recordando as posições assumidas por António José Seguro na campanha sobre o conjunto de alterações à lei laboral propostas pelo Governo.

“Não posso deixar de sublinhar que todos nós ouvimos o que o então candidato António José Seguro afirmou sobre o pacote laboral. Primeiro disse que não estava a haver necessidade de haver uma revisão da lei e depois que se o pacote laboral fosse aquele, que ele não acompanhava”, lembrou.

O secretário-geral do PCP defendeu que impõe-se ao vencedor das eleições presidenciais jurar a Constituição e “não ser suporte a uma política que a afronta todos os dias”e que é “contrária às respostas necessárias do país”.

Também sobre as presidenciais, Raimundo acusou o candidato André Ventura de ter criado uma “operação de instrumentalização das sucessivas tempestades com o questionamento e a descredibilização das eleições” e argumentou que a “significativa participação eleitoral derrotou esta operação e impediu que alguém com uma agenda reacionária, antidemocrática e em profundo confronto com a Constituição se instalasse na Presidência da República”.

“A derrota de André Ventura, para a qual o PCP ativamente apelou e participou, não significa que se desvalorize o impacto negativo que tem junto de largas camadas da população a ampla e sistemática difusão de concepções retrógradas, xenófobas e racistas, a mentira e os apelos sucessivos à divisão e à discriminação”, disse ainda.

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