7 julho, 2026

PAM assistiu mais de 427.000 pessoas em Moçambique entre abril e maio



De acordo com o mais recente relatório daquela agência das Nações Unidas, em maio o PAM apoiou 427.008 pessoas em Moçambique, através da distribuição de mais de 2.253 toneladas de alimentos e da transferência de 2,78 milhões de dólares (2,40 milhões de euros) em assistência monetária.

“Após um período de reduções forçadas do programa em março devido a deficiências de financiamento, recursos adicionais permitiram ao PAM escalar a assistência […] visando 425.000 pessoas em abril-maio, acima das aproximadamente 250 mil do ciclo anterior”, explica o PAM no documento, consultado hoje pela Lusa.

Segundo a agência, a província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, que concentra grandes reservas de gás natural e é palco de uma insurgência armada desde 2017, registou o maior número de beneficiários da assistência humanitária, com 247.800 pessoas afetadas pelo conflito apoiadas no ciclo de distribuições de abril e maio, o equivalente a 58% da meta estabelecida para o período.

“Outras 2.400 pessoas receberam assistência em Palma através do Programa Conjunto de Resposta das Nações Unidas, como resposta rápida após graves inundações”, refere-se no relatório.

No documento acrescenta-se que a insegurança continua a comprometer os esforços de recuperação no norte do país, onde mais de 506.000 pessoas permanecem deslocadas internamente, enquanto cerca de 715.000 regressaram às suas zonas de origem, muitas vezes encontrando acesso limitado a serviços básicos, terras agrícolas e oportunidades de subsistência.

Paralelamente, o PAM apoiou os serviços nacionais de saúde e nutrição através da entrega de 119 toneladas de alimentos nutritivos especializados a 112 unidades sanitárias em Cabo Delgado, destinados ao tratamento da desnutrição aguda moderada entre mulheres grávidas e lactantes e crianças menores de cinco anos.

A agência das Nações Unidas alerta ainda que Moçambique continua a enfrentar uma crise humanitária multidimensional, impulsionada pela combinação de choques climáticos, conflito armado e vulnerabilidades socioeconómicas persistentes. Descreve ainda que as inundações e os períodos prolongados de estiagem durante a campanha agrícola 2025/26 afetaram mais de 518.000 hectares de terras cultivadas, incluindo mais de 312.000 hectares destruídos, situação que reduziu a produção agrícola, os rendimentos familiares e as reservas alimentares em várias regiões do país.

“O PAM apoiou também os sistemas nacionais de saúde para responder às inundações e secas na cidade e província de Maputo, Gaza, Sofala e Inhambane, através do fornecimento de material nutricional, rastreio e tratamento da má nutrição e apoio aos profissionais de saúde da linha da frente, garantindo a continuidade dos serviços essenciais para grupos vulneráveis afetados por choques”, refere-se no relatório.

O PAM alerta que o aumento dos custos de transporte e dos preços dos alimentos está a agravar a vulnerabilidade das famílias mais pobres, particularmente mulheres, crianças e populações deslocadas, que continuam dependentes de apoio humanitário para satisfazer as suas necessidades básicas.

Para assegurar a continuidade das operações, a organização estima necessitar de 129,3 milhões de dólares (113 milhões de euros) entre maio e outubro de 2026. Sem financiamento adicional, o PAM prevê que o atual nível de assistência só possa ser mantido até dezembro, prevendo-se novos cortes a partir de janeiro de 2027.

A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) registou 11 eventos violentos nas duas primeiras semanas de junho em Cabo Delgado, todos envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram oito mortos, elevando para 6.632 o número de óbitos desde 2017.

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