
O partido, denominado “Um Lugar para Todos Nós”, foi lançado em Nazaré, uma das maiores cidades de Israel e que acolhe a maioria dos cidadãos israelitas de origem palestiniana, geralmente chamados de “árabes israelitas” no país.
De acordo com um comunicado do novo partido, o objetivo é “proporcionar um novo lar político para judeus e árabes que trabalham pela paz, igualdade, justiça social e no combate à violência e ao crime”.
Será liderado por Rula Daoud e Alon-Lee Green, os dois codiretores do movimento israelo-palestiniano Unidos.
Segundo o novo movimento político, Daoud é atualmente a única mulher a liderar uma força partidária em Israel.
Os árabes israelitas representam cerca de 21% da população e a maioria identifica-se como palestiniana.
Os descendentes da população árabe palestiniana que se encontraram em território israelita após a criação de Israel em 1948 relatam frequentemente que são vítimas de discriminação em relação à maioria judaica.
Para Rula Daoud, “esta é a última oportunidade” de salvar a sociedade de Israel, que se envolveu nos últimos em várias frentes de conflito, na Faixa de Gaza, no Líbano, no Irão e na Síria, bem como com os rebeldes Huthis do Iémen, alem do agravamento da violência na Cisjordânia.
“Estamos a ser abandonados, assassinados, o nosso futuro está a ser reduzido a cinzas, e sei que para remediar esta situação, não basta simplesmente declarar o que rejeitamos. Precisamos também de declarar o que defendemos”, acrescentou.
No comunicado, o novo partido indicou que pretende concentrar os seus esforços no “combate à violência e ao crime, ao elevado custo de vida, à crise da habitação” e na promoção de “um acordo de paz israelo-palestiniano”.
Green apelou pelo seu lado para a cooperação entre as forças da oposição que procuram substituir a coligação liderada pelo primeiro-ministro conservador, Benjamin Netanyahu, em aliança com a extrema-direita.
O lançamento do partido ocorre um dia depois de Netanyahu ter reafirmado a intenção de concorrer às eleições, que estão previstas para o final de outubro, apesar de enfrentar vários processos judiciais por fraude, abuso de poder e corrupção.
As sondagens apontam para resultados próximos do Likud, de Netanyahu, e do Juntos, a coligação do ex-primeiro-ministro Naftali Bennett e do líder da oposição, Yair Lapid, bem como do Yashar, liderado pelo antigo comandante das forças armadas Gadi Eisenkot.
No entanto, nenhum deles obtém maioria para controlar o Knesset (parlamento), onde está em discussão a possibilidade de eleições antecipadas.



