
A mais recente capa da revista The Economist coloca o presidente norte-americano, Donald Trump, em destaque – mas não pelos menores motivos. Na edição correspondente à semana de 21 a 27 de março, a publicação britânica retrata o magnata a envergar um capacete militar coberto de munições, que lhe tapa os olhos. A enquadrar a imagem está o título “Operação Fúria Cega”, que ironiza a operação militar israelo-americana contra o Irão, apelidada “Operation Epic Fury” (“Operação Fúria Épica”, em português).
“A campanha imprudente contra o Irão enfraquecerá o presidente dos Estados Unidos. Isso irritá-lo-á. Fiquem avisados: ele é péssimo a aceitar derrotas”, alertou a publicação, na rede social Facebook.
De acordo com a The Economist, a guerra no Irão está a minar três das principais armas do governo de Trump, entre elas a sua capacidade de impor a sua própria realidade sobre o mundo. O uso implacável da sua influência e o domínio sobre o Partido Republicano também estão em xeque, segundo o artigo.
A revista argumentou ainda que, “apesar da notável capacidade de distorcer os factos”, e de insistir que “já triunfou”, o conflito não abona a favor do magnata norte-americano. Para a The Economist, o regime iraniano está a ter sucesso na estratégia de prolongar o conflito e de colocar pressão sobre a indústria energética a nível global, com o bloqueio do Estreio de Ormuz e o consequente aumento do preço do petróleo.
“A guerra revela uma verdade própria. […] O tempo está a favor do Irão”, apontou.
Aquele meio indicou também que um conflito prolongado poderá prejudicar o Partido Republicano nas eleições intercalares de novembro, tendo potencial não só para alterar o rumo da administração de Trump, como a sua trajetória política.
Sublinhe-se que o novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, vincou, esta sexta-feira, que “o inimigo foi derrotado”, na sequência de um “golpe devastador” levado a cabo por Teerão contra os Estados Unidos e Israel.
Horas depois, Trump indicou que não quer “um cessar-fogo”, uma vez que “não se impõe um cessar-fogo quando se está literalmente a aniquilar o outro lado”.
De notar que o magnata tem vindo a gabar-se de que a alta liderança iraniana foi dizimada na operação militar israelo-americana, tendo até sugerido que Mojtaba Khamenei poderá não estar fisicamente apto para liderar o país, depois de ter ficado ferido nos ataques que mataram o seu pai, a 28 de fevereiro. Além disso, chegou a especular que o novo líder supremo do Irão poderia estar morto.
O presidente norte-americano, Donald Trump, indicou que a sua administração quer “falar com o Irão”, mas “não há com quem falar”. De acordo com o magnata, “agora já ninguém quer ser líder por lá”.
Daniela Filipe | 19:39 – 20/03/2026



