21 abril, 2026

Nova fotossíntese foi mecanismo que salvou plantas da maior extinção em massa



Um estudo internacional liderado pela Universidade de Leeds (Reino Unido) e publicado na segunda-feira na Nature Ecology and Evolution analisa a forma como as licófitas – um tipo de planta ancestral – evoluíram para sobreviver à Grande Extinção, um período em que as temperaturas globais subiram drasticamente e o calor extremo sufocou as florestas e tornou vastas áreas da Terra áridas.

 

Antes desta extinção em massa, grande parte da Terra estava coberta por florestas de plantas lenhosas com sementes.

Mas, após o evento térmico, estas florestas foram substituídas por um grupo de plantas mais pequenas que se reproduzem por esporos, as licófitas.

O estudo defende que as licófitas conservaram água e toleraram o calor abrindo os seus estomas à noite, em vez de durante o dia, armazenando CO2 como um ácido para uso diurno na fotossíntese — um processo conhecido como metabolismo ácido das crassuláceas (CAM).

Os autores, das Universidades de Wuhan (China), Birmingham, Nottingham e Bristol (Reino Unido) e Califórnia (EUA), sugerem que estas plantas podem ter sido as primeiras a utilizar este mecanismo e a desenvolver uma inovação biológica que lhes permitiu remover carbono da atmosfera e manter a biosfera da Terra ativa, mitigando os efeitos do aquecimento global.

Atualmente, as plantas que utilizam a fotossíntese CAM representam uma pequena proporção da vegetação global e são mais comuns em ambientes quentes e secos, como os desertos.

“Os nossos resultados sugerem que, sob o aquecimento futuro, as plantas com características de fotossíntese CAM podem tornar-se muito mais importantes”, realçou o autor principal do estudo, Zhen Xu, da Universidade de Leeds.

As licófitas, das quais existem mais de 1.200 espécies, são plantas que se reproduzem por esporos, sendo que tanto algumas espécies atuais como alguns antepassados extintos possuem características que lhes permitem viver em habitats aquáticos.

Para compreender como as licófitas sobreviveram quando tantas outras plantas desapareceram, os investigadores estudaram primeiro as suas relações evolutivas para encontrar os seus parentes mais próximos, como as isoetes, que ainda podem ser encontradas em todo o mundo, incluindo na Escócia.

De seguida, como cada tipo de fotossíntese deixa uma assinatura isotópica de carbono distinta, estudaram os isótopos de carbono (variantes de átomos de carbono) em plantas fósseis do Sul da China, datadas do Pérmico Superior ao Triássico Médio, para examinar o funcionamento das plantas antigas.

Descobriram que as licófitas apresentavam valores de isótopos de carbono notavelmente diferentes das outras plantas durante o evento de extinção do Pérmico-Triássico, e que esta diferença diminuiu quando as condições ambientais melhoraram.

A equipa comparou então a localização dos fósseis de licófitas com simulações de modelos climáticos e descobriu que estas plantas viviam em locais onde as temperaturas da superfície provavelmente ultrapassavam os 50°C.

Para os autores, compreender o passado geológico da Terra pode ajudar a fundamentar as previsões sobre a resiliência climática futura, algo que, segundo os cientistas, é cada vez mais importante num mundo mais quente.

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