21 março, 2026

Netanyahu pede fim do “circo” do seu julgamento para se focar na guerra



“O correto é acabar com este circo absurdo, dar ao Estado de Israel e a mim tempo para lidar com esta guerra, algo em que penso a cada minuto do dia em que permaneço acordado, que são muitos”, sublinhou na sua primeira conferência de imprensa desde que Israel, com o apoio dos EUA, iniciou a guerra contra o Irão, em 28 de fevereiro.

O governante acrescentou que o julgamento “deveria ser interrompido durante a guerra”.

“Durante uma guerra, não há nada para conversar. Este julgamento deveria ter sido suspenso há muito tempo”, acrescentou.

Netanyahu solicitou formalmente ao Presidente israelita, Isaac Herzog, em 30 de novembro, um indulto para este caso, no qual recebeu repetidamente o apoio do seu aliado, Donald Trump.

O Presidente norte-americano chegou mesmo a instar Herzog, que ainda não tomou uma decisão, a conceder amnistia ao seu primeiro-ministro.

“[Trump] Acredita que está a haver uma caça às bruxas. Ele tem razão. Acredita mesmo que há uma caça às bruxas política. Um julgamento que nunca deveria ter acontecido. Deveria ter sido encerrado depois de ouvirmos todas as coisas terríveis que disseram (…) A manipulação de testemunhas, as acusações fabricadas…”, realçou Netanyahu na conferência de imprensa, acrescentando que Trump “está a falar com o coração”.

E, embora tenha comentado que o Presidente Herzog é “livre para tomar a sua decisão” sem pressões, “o correto a fazer”, afirmou, “é pôr fim a este circo absurdo”.

Antes da guerra com o Irão, o primeiro-ministro israelita comparecia em tribunal três vezes por semana neste julgamento, que, desde o seu início em 2024, tem vindo a adiar repetidamente, alegando ter reuniões diplomáticas de alto nível para participar ou assuntos a resolver relacionados com a brutal ofensiva das suas tropas em Gaza.

A situação resultou na sua ausência do tribunal em diversas ocasiões.

Netanyahu tem três processos em aberto: os processos ‘1.000’ e ‘2.000’, por fraude e abuso de confiança, e o processo ‘4.000’, considerado o mais grave, referente a alegados favores que o primeiro-ministro — quando ainda era ministro das Comunicações — concedeu ao empresário Shaul Elovich, que controlava a empresa de telecomunicações Bezeq e o ‘site’ Walla News, em troca de um mediatismo favorável.

O chefe do Governo israelita, que tem afirmado consistentemente que os julgamentos contra si são uma “caça às bruxas” e uma conspiração do “Deep State” (“Estado profundo”), é o primeiro primeiro-ministro em funções na história de Israel a ser julgado.

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