6 abril, 2026

Myanmar: Líder da junta militar birmanesa acusado de genocídio na Indonésia



Yasmin Ullah e Noor Azizah, duas mulheres rohingya que fugiram de Myanmar (ex-Birmânia) após a campanha militar de 2017 contra o grupo étnico, apresentaram a queixa ao Ministério Público de Jacarta, acompanhadas por advogados internacionais e outros líderes da sociedade civil indonésia, segundo um comunicado divulgado nas redes sociais pela organização rohingya Maìyifuìnor.

 

“Ninguém escolhe ser refugiado, ninguém escolhe sobreviver a um genocídio. Se eu pudesse, gostaria de estar em casa e viver em paz com o resto do povo de Myanmar (…). É por isso que estou aqui, porque o meu povo não pode”, disse Noor Azizah durante a audiência, segundo um vídeo publicado no seu perfil na rede social Instagram.

A acusação contra Min Aung Hlaing, que foi nomeado presidente de Myanmar na sexta-feira por um parlamento dominado pelos militares, baseia-se no princípio da jurisdição universal, que permite aos tribunais julgar crimes internacionais, sublinhou a organização Maiyafuinor na rede social Facebook.

Min Aung Hlaing, que liderou o golpe de Estado em fevereiro de 2021, era o comandante-chefe do Exército quando as Forças Armadas birmanesas lançaram uma operação em agosto de 2017 contra a população rohingya no norte do estado de Rakhine, no leste do país.

A operação militar, lançada após um ataque dos rebeldes rohingya, provocou o êxodo de mais de 720 mil refugiados para o vizinho Bangladesh, onde já viviam exiladas milhares de pessoas expulsas em anos anteriores.

A ONU estima que, durante esta campanha, que classificou de “limpeza étnica com características de genocídio”, pelo menos 10 mil pessoas tenham sido mortas, enquanto centenas de aldeias foram arrasadas por incêndios criminosos.

Atualmente, existem dois mandados de captura internacionais contra o líder do golpe, emitidos em 2024 pelo gabinete do Procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI) e por um tribunal em Buenos Aires. Ambos pretendem a extradição do oficial militar birmanês pelo seu alegado envolvimento no genocídio dos rohingya.

Todos os anos, milhares de rohingya arriscam a vida em perigosas viagens marítimas para chegar à Indonésia, o país com a maior população muçulmana do mundo, onde reside uma grande comunidade deste grupo étnico, não reconhecido por Myanmar.

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