25 março, 2026

 

Moçambique reduz mortes por tuberculose mas doença ainda mata 14 mil/ano



“Em 2025, o país identificou cerca de 106.325 casos de tuberculose em todo o país. A maior parte destes pacientes foram diagnosticados por tuberculose na província de Nampula e Zambézia, embora o peso da doença seja mais concentrado nas províncias da zona sul, que regista um peso muito elevado, refiro as Províncias de Inhambane e Gaza”, disse hoje Benedita Manuel, chefe do Programa de Tuberculose do Ministério da Saúde, em Maputo.

Falando aos jornalistas à margem de uma palestra alusiva ao Dia Mundial da Tuberculose, assinalado na terça-feira, a responsável disse que em termos de óbitos, os dados da Organização Mundial da Saúde mostram que o país alcançou uma redução de 41%, comparado com os dados reportados em 2015.

“Saímos de cerca de 40 mil óbitos [em 2015] para 14 mil óbitos por ano”, referiu, reiterando que esta redução é um progresso assinalável, já que o país tem feito muito esforço, sobretudo para a modernização do sistema de saúde, “oferecendo serviços de qualidade a nível das unidades sanitárias, buscando rápido os pacientes com tuberculose, submetendo-os ao tratamento correto”.

Um dos principais desafios, segundo esta responsável, para o tratamento da tuberculose no país, sobretudo para a zona sul, é a resistência ao tratamento associada ao estigma social relacionado à doença.

“A tuberculose está ligada a muitos mitos a nível das comunidades, sobretudo a não prática de purificação das mulheres, por exemplo, quando são viúvas e é considerado como uma das formas de transmissão da doença. Isso claramente é um mito, mas influencia, na verdade, na busca de serviços de saúde”, acrescentou a responsável.

Ussene Isse, ministro da Saúde moçambicano, reconheceu, durante a abertura do evento, que a luta contra a tuberculose é coletiva, envolvendo união de sinergias, mas frisou que na linha da frente estão os que vão impulsionar a acabar com a doença no país, que são os profissionais de saúde.

“Moçambique está entre os dez países mais afetados pela tuberculose, não só pela tuberculose, como também pela tuberculose associada ao HIV [Virus da Imunodeficência Humana], à tuberculose multiresistente. São desafios que nós temos, mas eu acredito que com o empenho de todos nós iremos alcançar esta meta de acabar com a tuberculose no nosso país”, explicou.

Segundo o ministro, apesar da taxa de sucesso do tratamento para a doença ser acima de 90%, o dado não pode trazer alegria porque ainda há muitas pessoas com tuberculose para tratar e diagnosticar.

A Associação de Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo (ADPP) estimou no mesmo dia que cerca de 17.400 pessoas ficam sem diagnóstico da tuberculose anualmente em Moçambique, evidenciando as persistentes barreiras no acesso aos cuidados de saúde no país.

Segundo a ADPP, a tuberculose continua a ser uma das principais causas de morte em Moçambique, particularmente entre as pessoas que vivem com Vírus da Imunodeficiência Humana, e, só em 2023, estima-se que 112.000 pessoas tenham desenvolvido TB [tuberculose], mas aproximadamente 17.400 casos permanecem sem diagnóstico a cada ano, “o que evidencia as persistentes barreiras ao acesso aos cuidados de saúde”.

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