
“Possuindo os agressores norte-americanos e israelitas as tecnologias mais avançadas e os melhores sistemas de dados militares de alta precisão, ninguém pode acreditar que o ataque à escola não tenha sido deliberado e intencional”, acusou Abbas Araghchi durante um debate de urgência realizado no Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre o ataque de há um mês, que vitimou sobretudo crianças.
Intervindo por videoconferência neste debate sobre “proteção das crianças e dos estabelecimentos de ensino em conflitos armados internacionais”, solicitado por China e Cuba em nome do Irão, o ministro dos Negócios Estrangeiros insistiu que “o ataque não foi um mero acidente ou erro de cálculo”, mas sim “um crime de guerra e um crime contra a humanidade, que exige uma condenação sem ambiguidades por parte de todos e uma responsabilização inequívoca”.
Para o responsável iraniano, o ataque à escola é apenas “a ponta do iceberg”, já que Estados Unidos e Israel já destruíram ou danificaram “mais de 600 escolas” e também “atacaram hospitais, ambulâncias, profissionais de saúde e da Cruz Vermelha, refinarias e zonas residenciais”.
Lembrando as recentes palavras do secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, que garantiu que os Estados Unidos não iriam ter “nem piedade nem misericórdia”, o ministro afirmou que “a gravidade das atrocidades cometidas pelos agressores acompanhada por uma retórica que deixa poucas dúvidas quanto à sua clara intenção de cometer genocídio”.
Intervindo no arranque do debate, o alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu aos Estados Unidos que conclua rapidamente a investigação ao bombardeamento da escola e publique as conclusões.
“No caso desta escola, cabe a quem levou a cabo o ataque investigá-lo de forma rápida, imparcial, transparente e exaustiva, para determinar os factos e estabelecer as bases para a responsabilização”, começou por dizer.
Recordando que “altos responsáveis dos EUA afirmaram que o ataque está a ser investigado”, Türk deixou então o “apelo a que esse processo seja concluído o mais rapidamente possível e que as suas conclusões sejam tornadas públicas”, pois “deve haver justiça pelos terríveis danos causados”.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, negou inicialmente qualquer envolvimento dos Estados Unidos no bombardeamento que atingiu a escola de Minab e culpou o Irão, antes de indicar que “aceitaria” o resultado de uma investigação.
De acordo com as conclusões preliminares de uma investigação do Pentágono, noticiadas pelo New York Times, um míssil de cruzeiro Tomahawk norte-americano atingiu a escola devido a um erro de cálculo, durante um ataque lançado no primeiro dia da campanha militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ainda em curso.




