
“No fundo, existe um risco real – e estou a falar de factos, não de conjeturas – de que a Polónia saia da União Europeia”, disse Donald Tusk numa conferência de imprensa em Varsóvia, no final de uma reunião do Conselho de Ministros.
Tusk adiantou que o “confronto político desnecessário, insensato e prejudicial entre o Governo e a Presidência” não é apenas “estupidez ou má vontade”, mas “uma tentativa de desestabilizar toda a Europa, uma tentativa de limitar o papel da Polónia na União Europeia”.
O primeiro-ministro polaco referia-se às críticas da oposição aos fundos europeus de defesa SAFE, que os líderes do principal partido da oposição e de extrema-direita Lei e Justiça (PiS), consideram “uma grande fraude que vincula as compras militares à indústria alemã e francesa”.
O mecanismo SAFE é um programa de apoio à indústria de defesa da Europa, dotado de 150 mil milhões de euros sob a forma de empréstimos.
Segundo Mariusz Blaszczak, que foi ministro da Defesa durante o mandato do PiS, essas aquisições geram “dívidas caras de pagar e carecem de transparência”.
Tusk sublinhou que a oposição, tanto do PiS como do Presidente polaco, Karol Nawrocki, ideologicamente alinhado com essa formação ultraconservadora e nacionalista, “é uma ameaça direta à segurança e à estabilidade do país”.
Nawrocki, cuja assinatura é indispensável para aprovar a adesão da Polónia ao programa SAFE, manifestou-se contra este programa de empréstimos para a Defesa de Bruxelas “ser uma tábua de salvação para a economia alemã” e queixou-se de que uma parte importante das compras de armamento feitas com dinheiro europeu “vai para mãos estrangeiras”.
Se o Presidente polaco, vetar a adesão ao SAFE, como fez no passado com leis importantes sobre defesa, como uma lei sobre cibersegurança, o parlamento poderá anular o veto com três quintos dos votos (276), mas a coligação de Tusk conta apenas com 248 assentos.
Por seu lado, o ministro da Defesa polaco, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, defendeu a urgência destes fundos europeus e insistiu que o orçamento estatal é insuficiente para cobrir as necessidades de modernização militar.
Em relação à carga financeira, Kosiniak-Kamysz disse estar certo de que, no futuro, a UE vai decidir perdoar uma parte dos créditos concedidos ao abrigo do programa SAFE.



