25 julho, 2026

Local da Cisjordânia e castelos libaneses na lista do Património Mundial



A decisão, tomada na sexta-feira, durante a reunião da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) na Coreia do Sul, surgiu dias depois de o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel ter instado o comité a rejeitar as tentativas de classificar a pequena cidade de Sebastia, na Cisjordânia, e os castelos libaneses.

Na sua reunião em Busan, os membros do comité da UNESCO decidiram inscrever Sebastia e os cinco castelos da região do Monte Amel tanto na lista do Património Mundial como na lista do Património Mundial em Perigo, após terem analisado as candidaturas em regime de urgência, invocando os conflitos em curso no Médio Oriente.

Sebastia, a noroeste de Nablus, na Cisjordânia ocupada por Israel, é identificada pelos estudiosos como a antiga Samaria, capital do Reino bíblico de Israel. Os vestígios arqueológicos da região abrangem a Idade do Ferro, os períodos romano, bizantino e islâmico.

A candidatura de Sebastia, apresentada pela primeira vez pela delegação palestiniana à UNESCO em 2012, defendia que o estatuto de Património Mundial era necessário para ajudar a preservar o local.

“A integridade do sítio está atualmente ameaçada pelo projeto de expropriação que visa dividir o bem e criar o Parque Nacional ‘Samaria'”, explicou a UNESCO.

“Tendo em conta as ameaças existentes relacionadas com o atual conflito israelo-palestiniano e as pressões decorrentes do desenvolvimento, a integridade do bem pode ser considerada altamente vulnerável”, sublinhou a organização.

Os cinco castelos da região do Monte Amel são reconhecidos pelo seu património arquitetónico multifacetado que cruza várias influências. Os locais designados incluem o Castelo de Beaufort, construído pelos cruzados e também conhecido como Al-Shaqif, que as forças israelitas tomaram em maio.

Os “elementos constitutivos” destas fortalezas, que datam do século XII, “sofreram danos” e enfrentam “ameaças suficientemente graves para justificar o recurso a um procedimento de urgência”, explicou a UNESCO

Adel Naim Daoud Atieh, membro da delegação palestiniana junto da UNESCO, afirmou que a designação como Património Mundial recompensa a perseverança dos residentes de Sebastia, “que protegeram este local extraordinário ao longo de várias gerações, apesar da ocupação, das restrições e das repetidas tentativas de os separar do seu próprio património”

Israel retirou-se da UNESCO em 2019, acusando a organização de parcialidade contra o país e de minimizar os seus laços históricos com a Terra Santa. Um membro da delegação israelita, que participa nas reuniões de Busan na qualidade de observador, afirmou, citado pela agência Associated Press (AP), que era uma “pena que a politização tivesse arruinado a UNESCO e levado à ridicularização da história”.

Numa declaração, na terça-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel acusou a delegação palestiniana de levar a cabo uma “campanha hostil e unilateral” na UNESCO, ao retratar falsamente Sebastia como uma zona em situação de emergência, classificando esta iniciativa como uma tentativa política de “apagar a história judaica e cristã profunda e bem documentada do local”.

O ministério opôs-se também à inclusão do Castelo de Beaufort na lista do Património Mundial, no âmbito da candidatura que abrange os cinco castelos da região do Monte Amel.

Segundo Israel, o Hezbollah, apoiado pelo Irão, transformou o castelo numa fortaleza militar, construindo túneis sob o local e lançando foguetes a partir da zona, e acusou a UNESCO de ignorar esses desenvolvimentos.

Questionada sobre as alegações israelitas, a UNESCO afirmou num comunicado à Associated Press que todas as candidaturas são avaliadas de acordo com os mesmos critérios, procedimentos e requisitos técnicos, e que não toma posição em disputas políticas.

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