
Imagens de um vídeo gravado por um morador e amplamente difundidas pelos meios de comunicação social italianos mostram a vítima, de 42 anos, a ser mantida durante vários minutos numa posição de imobilização ventral.
“Socorro, socorro!”, grita repetidamente Abderrahim Fakir, um cidadão marroquino que chegou a Itália com 5 anos de idade, enquanto é imobilizado pelos dois agentes, perante a presença de dois homens com uniforme de socorristas.
A vítima, que se ouve a gemer, surge depois inerte, de rosto voltado para o asfalto, enquanto os agentes lhe prendem os pés e as mãos. Um dos polícias acaba por tocar-lhe no ombro para verificar se ainda está consciente.
As imagens captadas pelas câmaras corporais dos dois agentes foram entregues às autoridades judiciais, informou a chefia da polícia de Bolonha em comunicado, adiantando que os polícias tinham sido chamados ao local após moradores terem alertado para um homem “num estado de grande exaltação”.
“Não se pode morrer desta forma!”, afirmou Khadija Fakir, irmã da vítima, em declarações ao jornal Corriere della Sera.
“A polícia deve proteger-nos. (…) Se uma pessoa está agitada, deve ser acalmada, não morta como um cão”, declarou, visivelmente indignada, numa mensagem em vídeo, citada pela agência francesa AFP.
O presidente da Câmara de Bolonha, Matteo Lepore, de centro-esquerda, apelou a que seja “totalmente esclarecido” o que aconteceu no domingo.
Já o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, líder da extrema-direita italiana, e Galeazzo Bignami, líder parlamentar do partido Irmãos de Itália (direita nacionalista), da primeira-ministra Giorgia Meloni, manifestaram apoio aos dois agentes envolvidos.
A senadora da oposição Ilaria Cucchi, cujo irmão morreu sob custódia em 2009, disse à AFP sentir “repulsa” perante algumas mensagens de “solidariedade” e “agradecimento” dirigidas à polícia.
A senadora acusou ainda Giorgia Meloni e o seu Governo de coligação de terem “favorecido este tipo de comportamentos” através de “políticas inteiramente motivadas pelo ódio e pelo racismo”.
Abderrahim Fakir “era uma pessoa muito afável, instruída e respeitadora”, afirmou à agência noticiosa italiana Ansa a advogada Barbara Spinelli, que representou o cidadão marroquino no ano passado num pedido de renovação da autorização de residência.
Apesar de residir e trabalhar legalmente em Itália, Fakir receava ser expulso.
“Disse-lhe: ‘Estamos em Itália, um país democrático. Aqui, a polícia respeita as regras'”, afirmou a advogada, recordando as palavras que transmitiu a Fakir em 2025.
Um homem de 43 anos morreu durante uma detenção policial em Bolonha, Itália, e um vídeo mostra o momento em que pede ajuda enquanto é imobilizado por agentes. O caso gerou pedidos de esclarecimento por parte das autoridades locais e familiares da vítima.
Márcia Guímaro Rodrigues | 10:17 – 20/07/2026


