
Em comunicado, o exército indicou que “está a operar de forma direcionada para além da linha de defesa avançada, a fim de eliminar as ameaças diretas aos cidadãos do Estado de Israel e aos soldados”, confirmando notícias anteriores divulgadas pela imprensa israelita.
Estas operações decorrem “em conformidade com as diretrizes da cúpula política”, acrescentou o comunicado, no dia em que o chefe do Governo, Benjamin Netanyahu, esteve reunido com o ministro da Defesa, Israel Katz, e com o chefe das forças armadas, Eyal Zamir.
Em abril, Israel estabeleceu uma zona de dez quilómetros dentro do território libanês a partir da fronteira entre os dois países, marcada por uma “linha amarela” interdita à imprensa e à população, enquanto se desenvolvem operações de demolições.
Na segunda-feira, Netanyahu anunciou que a ofensiva no Líbano ia ser intensificada, apesar do cessar-fogo em vigor desde 17 de abril acordado com as autoridades de Beirute, não reconhecido pelo Hezbollah, tal como as negociações de paz israelo-libanesas em curso com o patrocínio dos Estados Unidos.
No mesmo dia, o chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio, reconheceu o direito à defesa de Israel, nos termos já estipulados na trégua, face à persistência de ataques aéreos do Hezbollah contra o território israelita.
Israel também nunca parou os bombardeamentos nem as operações terrestres no Líbano conta alegados alvos do grupo xiita apoiado pelo Irão.
De acordo com as autoridades de Beirute, pelo menos 16 pessoas morreram numa série de ataques israelitas contra o Líbano, 11 das quais num único local, desde que o primeiro-ministro anunciou a intensificação da ofensiva em resposta ao aumento dos disparos de projéteis do Hezbollah.
As negociações de paz no Líbano estão ligadas às conversações indiretas entre Estados Unidos e Irão sobre o conflito iniciado em 28 de fevereiro pela ofensiva aérea israelo-americana contra a República Islâmica.
Teerão tem exigido reiteradamente que a cessação das hostilidades deve abranger todo Médio Oriente, incluindo o Líbano, enquanto Israel afirma que não se vai deter enquanto o Hezbollah não for desarmado e neutralizado.
O país foi arrastado pelas milícias xiitas libanesas para a nova guerra na região ao reatarem, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.
Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho durante o conflito anterior.
Desde 02 de março, pelo menos 3.185 pessoas foram mortas e quase dez mil ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que provocaram também acima de um milhão de deslocados.
Do lado israelita, 24 pessoas foram mortas no mesmo período, incluindo 23 soldados e um contratado civil.
As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra de Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.



