22 março, 2026

Irão: O oitavo teatro militar dos EUA desde regresso de Trump



Incluindo a nova vaga de ataques conjuntos israelo-americanos, que resultaram na morte do ayatollah Ali Khamenei, eis os principais teatros de operações militares do Presidente norte-americano, que se define como um solucionador de conflitos e candidato ao Prémio Nobel da Paz:

Irão

Antes dos ataques se sábado, que se seguiram a semanas de negociações com Teerão, os Estados Unidos bombardearam três importantes instalações nucleares iranianas a 21 de junho de 2025, durante uma guerra de doze dias entre Israel e o Irão.

Donald Trump afirmou que as instalações nucleares iranianas foram “aniquiladas” e o programa nuclear de Teerão significativamente atrasado, mas desconhece-se a extensão exata dos danos e os esforços de reconstrução empreendidos desde então.

Venezuela

A 03 de janeiro de 2026, os Estados Unidos capturaram o Presidente venezuelano e a sua mulher numa surpreendente operação militar que envolveu bombardeamentos e operações terrestres na capital, Caracas. Aproximadamente cem pessoas, entre civis e militares, foram mortas.

Nicolás Maduro, detido nos Estados Unidos, foi acusado de tráfico de droga e aguarda julgamento.

A vice-presidente Delcy Rodríguez tomou posse como chefe de Estado interina, mas Trump assume a intenção de “ditar” as decisões de Caracas, incluindo uma reforma petrolífera que abra as vastas reservas do país ao setor privado.

Caribe

Em setembro de 2025, Washington lançou uma campanha que visava oficialmente os cartéis que operam nas Caraíbas traficam droga para os Estados Unidos.

Pelo menos 150 pessoas foram mortas nestes ataques a embarcações de alegados traficantes de droga, cuja legalidade gerou um intenso debate global e em meios políticos norte-americanos.

O governo Trump nunca apresentou provas concretas que sustentassem a alegação de que as embarcações visadas estavam de facto envolvidas com o tráfico.

Iémen

A 15 de março de 2025, Donald Trump intensificou os ataques aéreos contra posições rebeldes Huthis no Iémen, que tinham começado em janeiro de 2024, durante a presidência de Joe Biden, em retaliação pelos ataques deste movimento pró-iraniano contra navios no Mar Vermelho.

Os ataques norte-americanos continuaram até ao início de maio, quando os Estados Unidos e os rebeldes Huthis chegaram a um acordo de cessar-fogo mediado pelo Omã.

Somália

A Somália foi palco da primeira intervenção militar estrangeira ordenada por Donald Trump no seu segundo mandato. A 01 de fevereiro de 2025, anunciou novos ataques aéreos contra vários combatentes do grupo Estado Islâmico (EI) no país africano.

Já intensificados durante o primeiro mandato de Trump, estes ataques aéreos, que também têm como alvo o grupo jihadista al-Shabaab, aceleraram ainda mais desde o início de 2026, segundo o Comando dos Estados Unidos para África (AFRICOM).

Nigéria

Também no continente africano, o noroeste da Nigéria foi alvo de ataques aéreos norte-americanos no Natal de 2025, tendo como alvo militantes do EI que vieram do Sahel para colaborar com o grupo jihadista local Lakurawa.

O Presidente norte-americano afirmou mais tarde que optou por adiar os “numerosos ataques” – realizados em acordo com o presidente nigeriano – para 25 de dezembro para “dar um presente de Natal” aos combatentes jihadistas.

Síria

A partir de dezembro de 2025, os Estados Unidos, com o apoio da Jordânia, realizaram ataques aéreos contra os terroristas do EI na Síria.

Washington tem como alvo o grupo jihadista desde o ataque mortal, que Washington atribui ao EI, que matou dois soldados norte-americanos e um intérprete a 13 de dezembro na região desértica de Palmira. 

“Mais de 50 terroristas do Estado Islâmico foram mortos ou capturados e mais de 100 alvos foram atingidos por centenas de munições de precisão”, declarou o Comando Central dos EUA (Centcom) em meados de fevereiro.

Iraque

Em meados de março de 2025, o primeiro-ministro iraquiano, Mohamed Shia al-Soudani, e o Centcom anunciaram a morte, num ataque aéreo na província iraquiana de Anbar, de um importante líder do EI, Abdullah Makki Muslih al-Roufayi, responsável pelas “operações externas”, descrito como o “vice-califa” do grupo terrorista e sujeito a sanções norte-americanas.

As autoridades iraquianas elogiaram a operação supervisionada pelos serviços de informações iraquianos e conduzida em cooperação com a coligação internacional antijihadista liderada por Washington.

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