
“O Irão apela aos seus vizinhos irmãos para que expulsem os agressores estrangeiros”, escreveu Abbas Araqhchi numa mensagem em inglês na rede social X, na qual comentou que “o chamado guarda-chuva de segurança americano provou estar repleto de falhas e, longe de dissuadir, está a atrair instabilidade”.
O chefe da diplomacia de Teerão referiu-se também ao princípio “olho por olho” na resposta à ofensiva aérea iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra a República islâmica.
Desde o começo do conflito, as forças iranianas têm atacado com mísseis e drones o território israelita e os países vizinhos no Médio Oriente, visando bases militares norte-americanas mas também outras infraestruturas, sobretudo energéticas, ao mesmo tempo que colocaram o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz sob ameaça, o que fez disparar o preço do petróleo.
“O que estamos a fazer é simplesmente aplicar o conhecido princípio de olho por olho”, declarou Araqchi em entrevista ao canal norte-americano MS Now.
O governante observou que os Estados Unidos atacaram as ilhas de Kharg e Abu Musa na sexta-feira à noite, utilizando projéteis HIMARS, que segundo o Presidente norte-americano, foi “um dos bombardeamentos mais poderosos” da história do Médio Oriente.
No entanto, a agência de notícias iraniana Fars deu conta de que nenhuma infraestrutura petrolífera foi danificada na ilha de Kharg, onde estão armazenadas 90% das exportações de petróleo do país.
“É evidente que [os Estados Unidos] estão a utilizar o território dos nossos vizinhos para nos atacar com estes ‘rockets’, e isso é absolutamente inaceitável”, criticou Abbas Araqchi, referindo que as forças iranianas têm rastreado estes projéteis e “é agora claro que foram disparados dos Emirados Árabes Unidos”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros advertiu que “é muito perigoso que estejam a ser utilizadas áreas densamente povoadas” para lançar ataques contra o Irão.
No seguimento dos bombardeamentos contra Kharg, o comandante da força naval da Guarda Revolucionária iraniana, Alireza Tangsiri, declarou que as suas forças atacaram também “alvos-chave” em três bases aéreas norte-americanas localizadas nos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Qatar em várias vagas.
Em relação ao Estreito de Ormuz, Abbas Araqchi realçou que a passagem “só está fechada aos petroleiros e aos navios dos inimigos” do Irão, bem como os seus aliados e dos países que envolvidos nos ataques.
“Todos os outros podem passar”, observou, ressalvando que “obviamente, muitos preferem não atravessar por motivos de segurança”, mas que isso já não é responsabilidade de Teerão.
O ministro iraniano ameaçou igualmente instalações de empresas norte-americanas no Médio Oriente se a infraestrutura energética do seu país for novamente visada.
“Em caso de ataque a instalações iranianas, as forças iranianas atacarão instalações pertencentes a empresas norte-americanas na região ou empresas nas quais os Estados Unidos tenham uma participação”, advertiu o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, citado pela agência noticiosa Tasnim.
Esta ameaça surge no dia em que a Guarda Revolucionária reclamou ataques nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein contra agências do Citibank, sediado nos Estados unidos, justificados como resposta a bombardeamentos contra dois bancos iranianos.
Na entrevista ao MS Now, o ministro dos Negócios Estrangeiros também comentou uma suposta mudança política no Irão incentivada pelos ataques israelo-americanos.
“Nesta altura, já deveria ser claro e ser do conhecimento público” que o sistema iraniano “está profundamente enraizado na sociedade”, disse Araqchi, acrescentando que “não há qualquer problema” com o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, alegadamente ferido no mesmo ataque que matou, há duas semanas, o seu pai e antecessor, Ali Khamenei, e que a República Islâmica “não depende de nenhum indivíduo ou grupo de pessoas”.
O governante iraniano reiterou ainda que Teerão não tem intenção de fabricar bombas com urânio enriquecido no âmbito do seu programa nuclear, que estava em negociação nos dias anteriores aos ataques dos Estados Unidos e de Israel.
“Temos 440 quilos enriquecidos a 60%. Não é segredo”, observou o ministro, antes de expressar a disponibilidade do Irão para “diluir este urânio para um nível mais baixo”, o que considera ser “uma concessão verdadeiramente significativa”.
Pelo menos 15 pessoas morreram hoje na cidade de Isfahan, no centro do Irão, em ataques de Israel e dos Estados Unidos contra uma zona industrial, informaram as autoridades locais.
Lusa | 18:33 – 14/03/2026



