10 julho, 2026

Incêndio em Almería. Familiares fazem apelos: “Alguém a viu?”



Os familiares de possíveis vítimas do incêndio que deflagrou, esta sexta-feira, em Almería, Espanha, têm recorrido às redes sociais para tentar localizar os seus entes queridos. 

É o caso da britânica Patricia McGough que partilhou no Facebook uma fotografia da filha e do seu cão.

“A minha filha está desaparecida. Ela estava a conduzir um Ford Fiesta vermelho com o cão. Alguém a viu?”, pode ler-se na legenda da publicação feita na manhã desta sexta-feira.

E acrescentou nos comentários: “Ela saiu de casa às 06h30 com o cão. Achei que tivessem ido passear, mas não voltou”.

De acordo com os meios espanhóis, a Guardia Civil instalou um posto de atendimento para famílias de pessoas desaparecidas na estação de Garrucha, em Almería. O principal objetivo é localizar pessoas desaparecidas e recolher amostra de ADN, com o intuito de identificar as vítimas mortais. 

O número de vítimas mortais no trágico incêndio voltou a subir. São agora 12 as pessoas que perderam a vida devido às chamas que atingem este município da Andaluzia.

Segundo o El País, que cita o presidente da Andaluzia, Juan Manuel Moreno, o número de desaparecidos também aumentou. São agora 23 as pessoas cujo paradeiro é desconhecido.

As autoridades acreditam que grande parte das vítimas mortais sejam estrangeiros, nomeadamente de nacionalidade britânica. 

“Esperamos que os desaparecidos estejam em refúgios”

O presidente da Andaluzia, Juan Manuel Moreno espera agora que o número de mortos não seja ainda maior. “Esperamos que as pessoas que ainda estão desaparecidas estejam em abrigos ou refúgios”, declarou.

O chefe do Executivo da Andaluzia explicou que as operações de busca começaram na região Norte, onde o incêndio está atualmente sob controle, para localizar possíveis vítimas.

Entretanto, Moreno afirmou ter solicitado “cooperação e colaboração máxima” ao Rei e ao presidente do governo espanhol Pedro Sánchez, que, por agora, está a ser cumprida”.

Durante a mesma declaração, o presidente da Andaluzia mostrou-se pessimista quanto ao avanço do incêndio, especialmente devido ao “terreno muito difícil, onde máquinas pesadas não conseguem chegar”.

“Para já, a situação não é boa, pois as condições pioram por volta das 16h. Já retiramos as pessoas das zonas que podiam ser afetadas, caso o vento mude”, contou.

Incêndio de Almería já está entre os mais mortíferos da Europa

Como notou a a agência Lusa esta sexta-feira, o fogo em Almería está já entre os mais mortíferos da Europa, após as tragédias que ocorreram na Grécia, em 2018, e em Portugal, em 2017.

O episódio mais grave ocorreu na Grécia, entre 23 e 24 de julho de 2018, quando um fogo florestal devastou as localidades costeiras de Mati e Kokkino Limanaki, nos arredores de Atenas, provocando 104 mortos.

Muitas vítimas ficaram presas em casas e automóveis ou morreram afogadas ao tentarem escapar pelo mar.

O incêndio continua a ser o mais mortífero da Europa em mais de um século e o segundo mais mortal do mundo no século XXI, apenas ultrapassado pelos incêndios do “Sábado Negro”, na Austrália, em 2009, que causaram 173 mortos.

Já Portugal registou a sua pior tragédia em junho de 2017, quando os incêndios na região de Pedrógão Grande causaram 66 mortos, entre os quais 65 civis e um bombeiro.

A maioria das vítimas perdeu a vida na Estrada Nacional 236, onde ficou encurralada pelas chamas no interior das viaturas.

Poucos meses depois, entre 14 e 17 de outubro de 2017, uma nova vaga de incêndios, alimentada pelos efeitos do furacão Ophelia, provocou mais 49 mortos na Península Ibérica, dos quais 45 em Portugal e quatro em Espanha.

O incêndio florestal em curso em Los Gallardos, na província andaluza de Almería, que provocou 11 mortos, figura entre os incêndios mais mortíferos registados em Espanha neste século, embora abaixo das tragédias ocorridas na Grécia e em Portugal.

Lusa | 13:26 – 10/07/2026



Noticias ao Minuto

error: