
Foi o que explicou o porta-voz de António Guterres, Stéphane Dujarric, na sua conferência de imprensa diária, após o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, país mediador, ter avançado numa mensagem no X que “foi alcançado um texto definitivo e consensual do acordo de paz”.
Dujarric pediu que se respeitem os prazos “dada a delicada situação” e o facto de o pacto já ter estado supostamente “prestes a ser alcançado anteriormente”.
“Consideramos encorajador o tom geral do que estamos a ouvir”, adiantou o porta-voz.
O primeiro-ministro paquistanês assegurou que o seu país está a “colaborar estreitamente com ambas as partes para concretizar os próximos passos” e salientou que “a paz nunca esteve tão perto como está agora”.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse esta quinta-feira que tinha alcançado um “grande acordo” de paz com o Irão, ainda por formalizar, e que poderia ser assinado este fim de semana na Europa.
Chegou a referir que seria o seu vice-presidente, JD Vance, a encarregar-se de comparecer à cerimónia de assinatura.
No entanto, tal como comentou o porta-voz de António Guterres, esta é apenas uma das muitas vezes que o republicano se refere nestes termos ao acordo para pôr fim à guerra no Médio Oriente.
O Irão negou ter chegado a um acordo após a mensagem de Trump, mas hoje, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o “memorando de entendimento” com Washington “nunca esteve tão próximo”.
O chefe da diplomacia iraniana acrescentou que “todos os detalhes serão comunicados ao público oportunamente”.
Esta última aproximação surge depois de os EUA e o Irão terem trocado uma nova ronda de ataques esta semana, na sequência do abate de um helicóptero norte-americano pelas forças iranianas.
As negociações entre ambos os países estão num impasse há semanas, enquanto trocavam rascunhos de um acordo de paz, com a mediação do Paquistão.
Apesar do aparente otimismo das duas partes quanto à proximidade de um entendimento, persistem divergências públicas sobre os termos concretos do acordo.
Teerão não confirmou oficialmente as condições enumeradas pelo responsável norte-americano, nomeadamente a alegada aceitação do desmantelamento do programa nuclear iraniano.
O Irão tem reiterado que as suas atividades nucleares têm fins exclusivamente civis e rejeita as acusações de que procura desenvolver armamento atómico.
As negociações decorrem após o cessar-fogo alcançado em abril e procuram consolidar um acordo mais amplo para encerrar o conflito que envolve o Irão, os Estados Unidos e Israel.



