7 fevereiro, 2026
7 fevereiro, 2026

A notícia que importa, todos os dias.

Futuro de Starmer em risco após caso Mandelson. Demissão? Não é iminente



Nos últimos dias, analistas e deputados trabalhistas dividiram-se no prognóstico sobre o resultado da última crise política a envolver o líder do Partido Trabalhista e chefe do Governo britânico, um dos menos populares na história do Reino Unido.

Os esquerdistas Rachael Maskell e Neil Duncan-Jordan foram dos poucos a questionar abertamente a permanência de Starmer no cargo, mas, sob anonimato, mais eleitos do ‘Labour’ (Partido Trabalhista) confidenciaram o mesmo a diferentes meios de comunicação social britânicos.

“A posição de Keir Starmer é claramente insustentável”, afirmou, por sua vez, a líder do Partido Conservador (principal força da oposição), Kemi Badenoch, que desafiou os parlamentares adversários a coordenarem-se com a oposição para fazer aprovar uma moção de censura na Câmara dos Comuns (câmara baixa do parlamento britânico).

Starmer já estava sob pressão no início da semana devido à publicação de documentos do caso Epstein – acusado de múltiplos crimes de tráfico sexual de jovens mulheres e raparigas menores de idade -, que davam conta que Peter Mandelson encaminhou informações confidenciais ao milionário norte-americano enquanto era ministro do Comércio do então governo britânico trabalhista de Gordon Brown, em 2009.

A situação agravou-se na quarta-feira, quando o primeiro-ministro admitiu no parlamento que sabia que Mandelson manteve contacto com Jeffrey Epstein depois de este ter sido condenado em 2008 por aliciar uma rapariga de 14 anos para ter relações sexuais, e que mesmo assim aprovou a sua nomeação para embaixador nos Estados Unidos.

“Ele mentiu repetidamente à minha equipa quando foi questionado sobre a sua relação com Epstein antes e durante o seu mandato como embaixador. Lamento tê-lo nomeado”, afirmou Keir Starmer, que acusou Mandelson de trair o país e o partido. 

No mesmo dia, uma posição de revolta de deputados trabalhistas descontentes obrigou o Governo a aceitar divulgar todas as “comunicações eletrónicas e atas de reuniões” envolvendo Mandelson durante os sete meses em que este serviu como embaixador.

O primeiro-ministro reconheceu a seriedade do momento ao usar um discurso na quinta-feira para pedir desculpa publicamente às vítimas de Jeffrey Epstein por ter “acreditado nas mentiras de Mandelson” sobre a relação com o pedófilo norte-americano.

Para o politólogo Timothy Heppell, professor na Universidade de Leeds, esta crise acentuou as dúvidas sobre a competência do líder trabalhista, um advogado respeitado que foi diretor da procuradoria da coroa britânica. 

“A sua popularidade assentou sempre na integridade pessoal e no bom senso”, recordou em declarações à Lusa, mas “para o público e o seu partido, o escândalo expõe contradições entre os princípios éticos que ele defende e as decisões que toma”.

Perante isto, acrescentou Heppell, “a posição de Starmer está agora sob intensa pressão, mas a sua saída está longe de ser inevitável”.

A demissão poderá ser forçada por um desafio direto à liderança por parte de um rival dentro do partido ou se a pressão interna sustentada no grupo parlamentar trabalhista continuar a aumentar.

O politólogo identificou potenciais derrotas na eleição parlamentar parcial em Denton and Gorton, perto de Manchester, em 26 de fevereiro, nas eleições regionais e autárquicas de 07 de maio como possíveis “gatilhos”.

O ministro da Saúde, Wes Streeting, a antiga vice-primeira-ministra Angela Rayner e o presidente da Câmara Municipal de Manchester, Andy Burnham, são os favoritos à sucessão, mas todos enfrentam contrariedades a uma candidatura imediata. 

Streeting é considerado próximo de Mandelson, Rayner continua a ser investigada por não ter pago um imposto na compra de uma casa no ano passado e Burnham só pode concorrer se for deputado, o que não é o caso. 

“Uma mudança na liderança enfrentaria obstáculos processuais e políticos consideráveis” e um “processo demorado e arriscado”, salientou Timothy Heppell, que afirmou acreditar que a demissão voluntária de Starmer seja a opção mais provável.

“De qualquer forma, os próximos meses prometem intenso escrutínio, riscos elevados e uma trajetória incerta para a liderança trabalhista, sem um calendário claro de como ou quando a situação poderá ser resolvida”, resumiu.

Na terça-feira, Peter Mandelson anunciou a intenção de abandonar voluntariamente a Câmara dos Lordes.

Mandelson foi nomeado para a câmara alta do parlamento em 2008, mas suspendeu funções no final de janeiro de 2025, após a nomeação para embaixador britânico nos Estados Unidos, posição da qual foi demitido oito meses depois, em setembro, devido a revelações sobre as ligações a Epstein.

O antigo ministro e ex-comissário europeu (entre 2004 e 2008) também abandonou o Partido Trabalhista.

A polícia britânica realizou hoje buscas em duas propriedades ligadas ao antigo embaixador do Reino Unido em Washington Peter Mandelson, no âmbito da investigação a uma alegada má conduta resultante das ligações ao falecido Jeffrey Epstein.

Lusa | 17:25 – 06/02/2026



Noticias ao Minuto

error: