24 março, 2026

EUA saúdam libertação de cidadão detido no Afeganistão (e pedem mais)



O académico Dennis Coyle foi libertado hoje em Cabul, após mais de um ano de detenção, anunciaram as autoridades talibãs, que indicaram que a decisão ocorreu por ocasião do Eid al-Fitr, que marca o fim do jejum do Ramadão.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, classificou a libertação como um “passo positivo”, mas sublinhou que “ainda há muito trabalho a fazer”.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros afegão, Coyle foi libertado após o Supremo Tribunal considerar suficiente o período de detenção. O académico foi detido na sequência de alegadas violações da lei afegã que nunca foram especificadas.

Num comunicado divulgado pelo Departamento de Estado norte-americano, Rubio exigiu o regresso imediato de outros cidadãos norte-americanos, incluindo Mahmood Habibi e Paul Overby, além de “todos os outros americanos injustamente detidos”.

De acordo com Washington, Habibi, um empresário afegão-americano, terá sido detido pelas autoridades talibãs em 2022, embora Cabul negue a sua detenção.

Paul Overby consta como desaparecido desde 2014, na província de Khost, no leste do Afeganistão, enquanto realizava investigação para um livro.

O Departamento de Estado norte-americano classificou recentemente o Afeganistão como país patrocinador de detenções ilegais, acusando-o de recorrer a “diplomacia de reféns”, alegação rejeitada pelas autoridades talibãs, que voltaram a assumir o poder no Afeganistão em agosto de 2021.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Afeganistão, Amir Khan Muttaqi, afirmou que o país não detém cidadãos estrangeiros por motivos políticos, garantindo que as detenções resultam de violações da lei.

A libertação de Coyle contou com a mediação dos Emirados Árabes Unidos e o envolvimento do Qatar, segundo indicaram ambas as partes. A família de Dennis Coyle também enviou uma carta às autoridades do Afeganistão.

Os talibãs regressaram ao poder após a retirada das tropas internacionais, sobretudo norte-americanas, do território afegão, quase duas décadas depois de terem sido afastados por uma intervenção liderada pelos Estados Unidos na sequência dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

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