
Os Estados Unidos anunciaram a retirada de cinco mil soldados norte-americanos da Alemanha na sexta-feira após uma troca de críticas entre o chanceler alemão, Friederich Merz, e Donald Trump devido à guerra no Irão.
O anúncio levanta a questão: porque é que os Estados Unidos têm tropas na Europa – e quantas são?
EUA estão na Europa desde a II Guerra Mundial
Os soldados norte-americanos primeiro chegaram à Alemanha durante a II Guerra Mundial, que terminou em 1945, e aí se mantiveram até aos dias de hoje, embora em número bastante menor, explica o jornal The Guardian. Quando o regime Nazi se rendeu e a guerra chegou ao seu fim, havia cerca de 1,6 milhões de soldados na Alemanha. Hoje em dia, esse número situa-se nos 36.400 – e deverá diminuir em breve para 31.400.
A permanência das tropas na Alemanha – e um pouco por toda a Europa – solidificou-se após a criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (conhecido pela sigla em inglês, NATO), da qual os Estados Unidos também fazem parte.
O princípio fundamental da organização, recorde-se, está consagrado no Artigo 5.º do tratado, que prevê que um ataque a um dos países-membros da Aliança é um ataque a todos os países-membros.
Em 2025, havia 68 mil soldados dos EUA na Europa
De acordo com o Centro de Dados sobre Recursos Humanos da Defesa dos Estados Unidos, no final do ano passado, as forças armadas norte-americanas contavam com cerca de 68 mil militares no ativo destacados de forma permanente nas suas bases europeias. Mais de metade, note-se, estavam destacados na Alemanha.
De notar também o destacamento de tropas em Itália (que ultrapassa os 12 mil soldados), no Reino Unido (com 10.156) e em Espanha (3.814). Há militares norte-americanos também na Polónia, na Roménia, na Húngria e até mesmo em Portugal (nomeadamente, na Base das Lajes, nos Açores).
Os soldados estão distribuídos ao longo de cerca de 40 bases por toda a Europa, incluindo quartéis-generais do Comando Europeu e do Comando Africano, em Estugarda, que coordenam as operações de todas as forças militares dos Estados Unidos nos dois continentes.
Segundo o Guardian, o papel das bases norte-americanas na Europa mudou radicalmente desde a Guerra Fria: tornaram-se centros logísticos para as operações militares dos Estados Unidos, a partir de onde se iniciam guerra (por exemplo, no Iraque, Afeganistão e até mesmo no Irão).
Lei norte-americana estipula mínimo de 75 mil soldados na Europa
Apesar da retirada das forças da Alemanha, os Estados Unidos vêem-se legalmente limitados pela Lei de Autorização da Defesa Nacional de 2026, que prevê que o número mínimo de soldados na Europa seja 75 mil – ou seja, superior ao que foi registado em 2025.
A lei, como notou a porta-voz da Comissão Europeia para a segurança e os assuntos externos, Anitta Hipper, não serve só os interesses de segurança europeus. Embora os Estados Unidos sejam “um parceiro essencial para a segurança e a defesa da Europa”, o destacamento de tropas norte-americanas “também é do interesse dos EUA, no âmbito do apoio ao seu papel global” e do seu alcance militar global.
O mesmo foi defendido pelo ministro da Defesa alemão, que considerou que “a presença de soldados norte-americanos na Europa, e especialmente na Alemanha, é do interesse tanto da Alemanha como dos Estados Unidos”.
E sublinhou que as bases norte-americanas na Alemanha são onde se concentram “funções militares” como, por exemplo, “para os seus interesses de política de segurança em África e no Médio Oriente”.
Note-se que o anúncio de Pete Hegseth na sexta-feira não detalhou se as tropas iriam ser retiradas da Alemanha e regressaram aos Estados Unidos ou se seriam apenas transferidas para outro país europeu.
A NATO disse hoje que está a “colaborar” com os Estados Unidos para compreender melhor a decisão de Washington de retirar cerca de 5.0000 soldados norte-americanos da Alemanha até 2027, afirmou uma porta-voz da aliança.
Lusa | 11:21 – 02/05/2026




