
“Espanha condena rotundamente os últimos ataques contra o contingente da FINUL na base espanhola de Miguel de Cervantes, que resultaram na morte de um ‘capacete azul’ sérvio e vários soldados feridos, incluídos dois soldados espanhóis. O ataque deve ser investigado e os seus responsáveis devem prestar contas”, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), num comunicado.
O MNE sublinhou o “trabalho comprometido e sacrificado” dos soldados (ou “capacetes azuis”) que estão no contingente da FINUL, “exercido sob umas condições de extrema violência”, e apelou à entrada em vigor do cessar-fogo acordado entre o Líbano e Israel.
Espanha pediu ainda respeito pelo direito internacional no Líbano, assim como pelo direito internacional humanitário e a “proteção da segurança das forças de manutenção da paz”.
Também o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, manifestou a “condenação mais absoluta à violência” e apoio “a quem arrisca a vida para defender a paz sob a bandeira das Nações Unidas”, numa mensagem nas redes sociais por causa deste ataque.
“Esperamos que todas as partes cumpram integralmente o cessar fogo anunciado ontem [quarta-feira] e que as hostilidades terminem. A paz é o único futuro”, acrescentou.
A Sérvia já tinha confirmado a morte hoje de um militar do país na sequência dos ferimentos sofridos devido à queda de morteiros no sul do Líbano.
O incidente ocorreu na quarta-feira nas imediações de Marjayoun, no sul do Líbano.
O grupo xiita libanês Hezbollah, apoiado pelo Irão, e Israel não se pronunciaram ainda.
O ataque contra a posição da FINUL ocorreu horas antes de delegações do Líbano e de Israel terem concordado com um cessar-fogo condicionado à cessação total dos ataques por parte do Hezbollah.
A trégua, negociada em Washington sob mediação dos Estados Unidos, ficou ainda condicionada à retirada dos combatentes do Hezbollah do setor a sul do rio Litani.
A FINUL não atribuiu a autoria do incidente, ocorrido numa região onde se registam fortes confrontos entre as tropas israelitas e o Hezbollah.
No entanto, a missão internacional denunciou um aumento no número de ataques na região meridional do país.
“Os ataques deliberados contra membros da força de manutenção de paz são violações graves do direito internacional humanitário e da resolução 1701 do Conselho de Segurança”, disse a FINUL num comunicado divulgado na sua página oficial.
Tais ataques “podem equivaler a crimes de guerra”, advertiu.
A FINUL reiterou o apelo para que todas as partes no conflito “cumpram as obrigações ao abrigo do direito internacional e garantam a segurança do pessoal e dos bens da ONU em todas as circunstâncias”.
“Apelamos igualmente às autoridades nacionais competentes para que investiguem o incidente, levem os responsáveis à Justiça e garantam a responsabilização penal”, acrescentou.
Os “capacetes azuis” destacados em Marjayoun, onde se localiza a base Miguel de Cervantes, estão sob comando espanhol, embora o setor inclua também batalhões indianos, nepaleses, sérvios e de outras nacionalidades.
A zona de operações da missão internacional estende-se desde a fronteira ‘de facto’ com Israel até ao rio Litani, região onde se tem concentrado a violência.
A missão da FINUL termina dentro de seis meses e estão ainda a ser equacionados destacamentos alternativos para a substituir.
Desde o início das hostilidades no Líbano, em 02 de março, a FINUL já tinha denunciado vários incidentes contra as suas tropas.
O soldado sérvio é o sétimo membro da FINUL morto desde que o Líbano foi arrastado para a guerra em curso no Médio Oriente, em 02 de março, após ataques do Hezbollah contra Israel, em apoio a Teerão.
A FINUL conta atualmente com 7.500 membros, provenientes de meia centena de países.



