
Carolyn Rodrigues Birkett tornou-se na semana passada na mais recente candidata à sucessão de António Guterres e a quarta mulher a entrar na corrida ao cargo de secretário-geral da ONU, num total de seis nomes atualmente na disputa.
Quatro dos seus concorrentes já levam várias semanas de avanço no processo de campanha, nomeadamente a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, a ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan e o ex-presidente senegalês Macky Sall, que já foram ouvidos em abril numa série de diálogos interativos com Estados-membros e organizações da sociedade civil.
Já a ex-ministra dos Negócios Estrangeiros do Equador María Espinosa Garcés entrou no processo de seleção só em meados de maio, após ter sido nomeada pela Antígua e Barbuda, pelo que foi a penúltima candidata a passar pelo processo de diálogo interativo, apenas à frente da diplomata nomeada esta semana pela Guiana e que teve hoje a oportunidade de apresentar as suas prioridades para o cargo máximo da organização multilateral.
“Não considero a minha entrada tardia. Na verdade, [o processo] ainda está aberto a candidaturas e podemos muito bem ver mais candidatos a apresentarem-se. Pretendo visitar capitais. Isto será extremamente importante, pois procuro apoio. Portanto, terei muito trabalho aqui em Nova Iorque, mas também muito trabalho nas capitais”, afirmou aos jornalistas Carolyn Rodrigues Birkett, depois da sua audição na sede da ONU, em Nova Iorque.
“Na verdade, considero que o Conselho de Segurança e os restantes membros das Nações Unidas deveriam poder analisar o maior número possível de candidatos. E acho que na região de onde sou natural, América Latina e Caraíbas, temos muitas pessoas qualificadas para entrar nesta disputa”, acrescentou.
A embaixadora, que já desempenhou as funções de ministra de Assuntos Indígenas e dos Negócios Estrangeiros da Guiana, foi diretora na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e representante permanente da Guiana junto às Nações Unidas, inclusive durante o mandato da Guiana no Conselho de Segurança entre 2024 e 2025.
Já sobre os motivos que a levaram a candidatar-se, Carolyn Rodrigues Birkett garantiu acreditar profundamente no sistema das Nações Unidas e na capacidade da organização de ajudar todas as regiões do mundo, admitindo também que recebeu incentivos e pedidos de “muitos colegas” para que entrasse na corrida.
A próxima pessoa a chefiar o Secretariado das Nações Unidas iniciará o mandato de cinco anos em 01 de janeiro de 2027, sucedendo ao antigo primeiro-ministro português António Guterres.
Em consonância com uma tradição de rotação geográfica, nem sempre observada, a posição de secretário-geral da ONU está a ser reivindicada pela América Latina.
Muitos países também defendem que uma mulher ocupe o cargo pela primeira vez nos 80 anos de história da ONU.
Contudo, são os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU, que devem iniciar o processo de seleção até ao final de julho, que realmente têm a decisão nas mãos.
A Assembleia-Geral, assim como líderes mundiais através do Pacto para o Futuro, incentivaram todos os Estados a considerarem a nomeação de candidatas mulheres.
Embora a escolha de um secretário-geral da ONU seja sempre um momento de grande atenção no universo dos assuntos multilaterais, a eleição deste ano chega num momento de grave crise multidimensional da instituição, que tem em risco a sua influência e orçamento.
António Guterres assumiu a liderança da ONU em janeiro de 2017, tendo sido reconduzido para um segundo mandato, que termina no final de 2026.



