
A Nobel da Paz iraniana Narges Mohammadi foi hospitalizada de urgência no noroeste do Irão, na sexta-feira, depois de desmaiar duas vezes na prisão onde está detida, na cidade iraniana de Zanjan.
A notícia foi avançada pela Fundação Narges Mohammadi, que adiantou que a hospitalização acontece na sequência de uma “deterioração catastrófica” do seu estado de saúde, que inclui não só dois desmaios como também crises severas cardiológicas.
“A família dela, que há semanas que tem vindo a lutar pela sua transferência para instalações adequadas, descreveu esta transferência como uma ação desesperada, de ‘última hora’, que pode ser tarde demais para atender às suas necessidades críticas”, lê-se na nota.
Acredita-se que ela tenha sofrido um ataque cardíaco no final de março, de acordo com os seus advogados, que a visitaram alguns dias após o incidente. Na altura, ela parecia pálida, tinha perdido peso e precisava de uma enfermeira para a ajudar a andar.
A transferência para o hospital ocorre “após 140 dias de negligência médica sistemática”, desde a sua detenção a 12 de dezembro, afirmou a fundação, acrescentando que a vida da ativista iraniana dos direitos humanos está em “perigo iminente”.
A pressão arterial perigosamente elevada e a perda rápida de cerca de 20 quilos colocaram a vida de Narges Mohammadi em “perigo iminente”, de acordo com um relatório da sua fundação.
Mohammadi, ativista iraniana dos direitos humanos e laureada com o Prémio Nobel, tem estado presa em vários períodos desde 2016 devido à sua oposição à pena de morte e ao uso obrigatório do véu.
Foi novamente presa depois de ter sido condenada, em 08 de fevereiro, a sete anos e meio de prisão por acusações que incluem conluio contra a segurança do Estado e propaganda.
A fundação afirmou que Mohammadi sofre de dores persistentes no peito. Além disso, apresentou pressão arterial elevada nos últimos três dias, sem responder à medicação.
Apesar da confirmação do médico legista iraniano de que ela necessita de pelo menos um mês de cuidados cardíacos especializados, os procuradores de Teerão recusaram-se a conceder uma suspensão temporária da sua pena, segundo o relatório.
Acrescentou ainda que a sua equipa de advogados, após uma visita recente, afirmou que o seu estado atingiu um ponto crítico.




