
Cuba enfrenta uma profunda crise energética desde meados de 2024, uma situação agravada nos últimos três meses por restrições no fornecimento de petróleo associadas às sanções impostas pelos Estados Unidos, que têm afetado a atividade económica e aumentado o descontentamento social.
A ilha sofreu, na segunda-feira, um novo apagão nacional, o sexto em cerca de um ano e meio, após uma falha que provocou a desconexão total do Sistema Elétrico Nacional (pode ver as imagens na galeria acima).
Com base em episódios anteriores, a reposição do sistema elétrico poderá demorar vários dias, uma vez que o processo implica iniciar a produção com fontes de arranque mais simples, como energia solar, hidroelétrica ou motores de geração, para abastecer pequenas áreas que são, depois, interligadas. O objetivo é fornecer energia suficiente às centrais termoelétricas, principal base da produção elétrica no país, para poderem voltar a operar e gerar eletricidade em grande escala.
A situação atual é agravada pela escassez de diesel e fuelóleo para os motores de geração, segundo as autoridades, o que pode dificultar o arranque do sistema. Já na semana passada, um apagão massivo tinha afetado cerca de seis milhões de cubanos.
“Seria uma honra tomar Cuba”
Poucas horas depois do apagão, o presidente norte-americano, Donald Trump, declarava aos jornalistas na Sala Oval que seria “uma honra tomar Cuba”. “Acredito que terei a honra de tomar Cuba. É uma grande honra. Acho que posso fazer o que quiser com ela, na verdade. É uma nação muito enfraquecida, neste momento”, atirou.
“Tiveram líderes muito violentos, Castro era um líder muito violento, o irmão é um líder muito violento. Extremamente violentos. Era assim que governavam, com violência. Mas muita gente gostava de regressar”, acrescentou.
A administração Trump terá também dito que o presidente de Cuba terá de deixar o cargo para as negociações entre os dois países chegarem a bom porto. Para Trump, a destituição de Miguel Díaz-Canel permitiria que Cuba tivesse mudanças económicas e estruturais.
Recorde-se que as autoridades cubanas estimam que seriam necessários entre oito e 10 mil milhões de dólares para modernizar o sistema elétrico e especialistas independentes indicam que a crise energética resulta de anos de desinvestimento no setor, agravados pelas sanções norte-americanas.
Cuba atravessa a pior crise económica em mais de três décadas, agravada após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro por forças norte-americanas e o consequente fim das entregas de petróleo de Caracas à ilha, situação que levou o governo a impor medidas de emergência, incluindo racionamento de combustível e cortes de eletricidade que podem ultrapassar 15 horas diárias na capital e prolongar-se por dezenas de horas nas províncias.



