
Os manifestantes, apoiantes e membros do “Partido das Baratas” – um movimento satírico da Geração Z indiana que surgiu como resposta a uma declaração do presidente da Supremo Tribunal na qual comparou os jovens desempregados a baratas –, entoaram palavras de ordem contra o ministro da Educação e contra o primeiro-ministro, Narendra Modi.
A polícia disparou gás lacrimogéneo e atacou os manifestantes com bastões depois de estes terem tentado romper as barricadas que cercavam o local do protesto, no centro de Nova Deli, marcando um dos confrontos mais graves até à data na campanha do movimento contra o Governo.
Os manifestantes estão, há um mês, acampados num local designado para protestos, a poucos quilómetros do parlamento, tendo o movimento crescido muito depois de um conceituado engenheiro e ativista ambiental, Sonam Wangchuk, ter iniciado uma greve de fome em resposta a um escândalo nacional de venda ilegal das provas do exame de acesso aos cursos de medicina e medicina dentária.
O caso culminou na anulação dos exames de milhões de candidatos e deu azo a relatos de muitos suicídios de estudantes.
Wangchuk apoia o movimento estudantil e o chamado “Partido das Baratas” na exigência da demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, e reformas estruturais urgentes no setor.
A atenção aumentou ainda mais no sábado, quando a polícia levou o ativista à força para o hospital.
Antes da marcha de hoje, Wangchuk disse que terminaria a sua greve de fome de quase três semanas se o Governo assumisse a responsabilidade pelas falhas no sistema educativo e pelas fugas de provas ou se os manifestantes tivessem permissão para entrar ao parlamento e os deputados se comprometessem a abordar as questões em ambas as câmaras.
A polícia de Deli garantiu, no entanto, que a manifestação não tinha sido autorizada e que eram necessárias restrições para manter a ordem pública em torno do parlamento durante a sessão de inverno, que começou hoje.
Apesar e tudo, o episódio parece ter resultado na primeira aproximação do Governo aos líderes dos protestos, já que o porta-voz do “Partido das Baratas”, Saurav Das, anunciou ter estado, em conjunto com outro representante, reunido com o ministro da Saúde, J.P. Nadda. O Governo não confirmou a reunião.
Líderes importantes do Governo de Modi adotaram uma linha dura contra o movimento, com Pradhan a acusar os manifestantes de agirem contra a nação, enquanto outros ministros reconheceram as preocupações dos estudantes, mas insistiram que não há necessidade de conversas ou negociações com o partido.
Os protestos tornaram-se um raro desafio público ao Governo nacionalista hindu de Modi, que cumpre o seu terceiro mandato, atraindo o apoio de partidos da oposição, ativistas dos direitos humanos e algumas celebridades de Bollywood.
Os manifestantes dizem que o espaço para a dissidência diminuiu sob o Governo de Modi, que tem sido criticado por reprimir protestos públicos, prendendo ativistas e, em alguns casos, usando repressão policial violenta.


