25 junho, 2026

Conferência para Recuperação da Ucrânia avança com fundo de 500 milhões



O fundo de capital de risco, cuja criação tinha sido anunciada na conferência realizada em Roma, no ano passado, “foi finalmente implementado nesta conferência”, afirmou à agência Lusa Inês Domingos, que está a representar Portugal na reunião que decorre hoje e sexta-feira na cidade polaca de Gdansk.

A novidade, destacou a secretária de Estado, aconteceu ao mesmo tempo em que “foi desembolsada a primeira ‘tranche’ dos 90 mil milhões de euros que a União Europeia (UE) concordou em atribuir à Ucrânia”.

Bruxelas aprovou, em abril, a atribuição de um pacote global de 90 mil milhões de euros no âmbito do Empréstimo de Apoio à Ucrânia, destinado a cobrir as necessidades orçamentais e militares do país em 2026 e 2027, tendo hoje libertado os primeiros 3,2 mil milhões de euros.

“Acho que são dois sinais importantes do empenho” em ajudar a Ucrânia, afirmou Inês Domingos.

De acordo com a secretária de Estado, Portugal é um participante ativo da tentativa de reconstruir e ajudar a Ucrânia, avançando de “forma concreta em todos os financiamentos que são feitos a nível europeu” e também nas áreas militar e humanitária.

“Por exemplo, em abril, assinámos mais um memorando de entendimento com a Ucrânia, a fim de financiar mais três escolas ‘Super Heroes Schools’, da Fundação Olena Zelenska [primeira-dama ucraniana], uma das quais vai ser perto da linha da frente e outra em Kiev”, avançou.

A secretária de Estado dos Assuntos Europeus apelou ainda à participação das empresas portuguesas na reconstrução da Ucrânia, lembrando que se trata de uma oportunidade importante de investimento.

“O Governo está muito empenhado em criar as condições para conseguir atrair as empresas que estejam interessadas em apoiar a reconstrução”, disse, acrescentando que já há algumas que estão na Ucrânia e outras interessadas.

“Nesta fase, seria relevante para as empresas portuguesas poderem começar a posicionar-se, não só porque do ponto de vista moral, [queremos] apoiar a Ucrânia nesta fase crucial, mas porque queremos, obviamente, que seja um Estado-membro [da União Europeia] no futuro”, explicou.

Inês Domingos sublinhou ainda que a Ucrânia está a fazer “reformas muito significativas, em condições muito difíceis”.

Mudanças “que têm a ver com o ambiente de negócios e o ‘governance’ [regras e práticas das empresas] do ponto de vista jurídico para criar melhores condições, obviamente, para os seus cidadãos e para as suas empresas, mas que também criam oportunidades para as empresas se estabelecerem num mercado no qual a confiança vai ser crescente”, defendeu.

A Conferência para a Recuperação da Ucrânia é um evento que pretende reforçar o apoio internacional à reconstrução do país invadido pela Rússia em fevereiro de 2022.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, não está presente na reunião devido a um episódio de tensão entre Varsóvia e Kiev, após o chefe de Estado da Polónia, Karol Nawrocki, ter retirado a mais alta condecoração polaca ao homólogo ucraniano por este ter dado a uma unidade militar o nome de um grupo nacionalista que matou polacos na II Guerra Mundial.

A ausência de Zelensky não significou, no entanto, falta de sintonia entre os presentes e, nomeadamente, entre Kiev e Varsóvia, garantiu Inês Domingos.

“Na perspetiva de quem estava a assistir, há uma grande sintonia e uma grande vontade de continuar a trabalhar”, assegurou, referindo que o discurso do primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, mostrou “um empenho total em continuar a apoiar a Ucrânia” e que a primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko, que lidera a delegação de Kiev, manifestou “um grande reconhecimento desse esforço”.

Depois de uma manhã marcada por reuniões de alto nível, a agenda da conferência para hoje à tarde vai ser dedicada a reuniões de trabalho com empresas e focadas em setores concretos, concluiu a secretária de Estado.

Em termos globais, o evento vai centrar-se nos setores mais afetados pelo conflito: energia, infraestruturas críticas e logística. O reforço das capacidades de segurança da Ucrânia também estará em foco na reunião.

Edições anteriores desta conferência, que reúne representantes governamentais, de instituições financeiras e do setor privado, decorreram em Berlim e Roma.

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