
O presidente da Comissão Eleitoral Central da Arménia, Vahagn Hovakimyan, explicou que, após analisar os argumentos apresentados pelo Partido Republicano, não encontrou fundamentos legais para cancelar o registo eleitoral da coligação.
A decisão pode ser contestada no prazo de três dias, de acordo com a emissora pública arménia.
O anúncio surgiu após o Ministério Público ter pedido autorização à comissão eleitoral para iniciar processos criminais contra seis candidatos incluídos na lista do partido Arménia Forte.
Também na sexta-feira, chegou à Arménia uma missão de observação eleitoral do Conselho da Europa e do Parlamento Europeu.
Durante uma reunião com a chefe da missão, Nathalie Loiseau, o Presidente arménio, Vahagn Khachaturyan, manifestou confiança no processo e afirmou acreditar que as eleições serão realizadas “com um elevado nível de democracia”.
Também Vahagn Hovakimyan sublinhou que as eleições de domingo são “de vital importância para o futuro do país” e manifestou gratidão pelo apoio europeu às reformas democráticas promovidas por Erevan.
“Quero assegurar-vos que estamos profundamente interessados em que as eleições se realizem de forma livre e democrática, e que a Arménia, mais uma vez, após as suas eleições, demonstre ser um país democrático que aspira a fazer parte da Europa”, declarou Hovakimyan, em declarações divulgadas pela imprensa arménia.
Loiseau destacou a importância da missão de observação e salientou que “estas eleições são importantes não só para o Parlamento Europeu, mas também para os esforços de apoio à democracia na Arménia em geral”.
A eurodeputada enfatizou ainda o apoio das instituições europeias à estabilidade democrática do país e aos esforços de paz promovidos pelas autoridades arménias.
As legislativas de domingo decorrem sob uma intensa campanha de desinformação atribuída à Rússia, com o intuito político de procurar afastar o futuro Governo de Erevan da esfera de influência ocidental.
Segundo a organização norte-americana NewsGuard, especializada na monitorização da desinformação, foram identificadas 31 publicações falsas apenas numa semana de maio, apresentadas como se fossem conteúdos de meios de comunicação reconhecidos, como o jornal The Telegraph e a cadeia televisiva France 24, que acusavam sem provas o primeiro-ministro arménio, Nikol Pashinyan, de fraude eleitoral, agressão sexual e de pretender provocar um conflito com a Rússia.
O sufrágio é visto como um teste ao apoio popular à reorientação geopolítica promovida pelo atual primeiro-ministro, cujo partido surge como favorito nas sondagens, depois de ter reduzido a dependência política de Moscovo e procurado reforçar os laços com Bruxelas e Washington.
O principal adversário de Pashinyan é o empresário russo-arménio Samvel Karapetyan, defensor da manutenção de relações estreitas entre a Arménia e a Rússia.
O Presidente russo, Vladimir Putin, apelou recentemente à realização de um referendo para obrigar a Arménia a escolher entre a adesão à UE ou à União Económica Euroasiática, liderada pela Rússia, avisando contra a repetição do que classificou como um “cenário ucraniano”.
Na quinta-feira, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, criticou a aproximação da Arménia à UE e a presença de representantes políticos europeus em Erevan.



