
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Pelo menos 150 petroleiros, incluindo embarcações de petróleo bruto e de gás natural liquefeito, lançaram âncora em águas abertas para além do estreito de Hormuz –passagem entre o golfo Pérsico e o oceano Índico por onde circula cerca de 20% da oferta global de petróleo.
Os petroleiros estavam concentrados em águas abertas ao largo das costas de grandes produtores de petróleo do golfo, incluindo Iraque e Arábia Saudita, bem como o Catar, importante no mercado de GNL (gás natural liquefeito), segundo estimativas da Reuters com base em dados de rastreamento de navios da plataforma MarineTraffic.
O fluxo de embarcações de maior porte pelo estreito de Hormuz, particularmente aquelas que seguem em direção ao golfo, havia caído drasticamente desde o sábado (28), quando ocorreram os ataques.
Boa parte do petróleo que passa por Hormuz é vendida por países como Arábia Saudita, Emirados Árabes, Irã, Kuwait e Iraque à Ásia, em especial a China, e a países da Europa.
Duas das maiores transportadoras marítimas do mundo, CMA CGM e Hapag-Lloyd, ordenaram a seus navios que não naveguem pela região. “Todos os navios que se encontram atualmente no golfo Pérsico, ou que se dirigem para o golfo Pérsico, receberam instruções, com efeito imediato, de permanecer em segurança”, declarou a CMA CGM, a terceira maior transportadora marítima do mundo, em comunicado.
A passagem pelo canal de Suez, que liga o mar Mediterrâneo ao mar Vermelho, “permanece suspensa até novo aviso e os navios serão desviados pelo cabo da Boa Esperança”, no sul da África, o que aumenta o trajeto em muitos milhares de quilômetros, segundo o mesmo comunicado.
A alemã Hapag-Lloyd congelou o trânsito de suas embarcações pelo estreito.
As empresas japonesas de transporte marítimo Mitsui OSK Lines e NYK Lines também suspenderam as passagens pelo estreito. “Estamos priorizando a segurança de nossos marinheiros, cargas e navios”, afirmou a Mitsui, acrescentando que vários navios estavam no golfo e no estreito de Hormuz, mas aguardariam por uma passagem segura.
Várias empresas de transporte, como a dinamarquesa Maersk, já haviam alertado seus clientes na sexta-feira (27) para possíveis atrasos nas entregas, depois que alguns navios foram obrigados a mudar de rumo diante do risco de escalada militar na região.
Ao longo do sábado, a Força Naval da União Europeia anunciou que a Guarda Revolucionária iraniana advertiu por rádio as embarcações de que a passagem pelo estreito de Hormuz “não estava autorizada”.
Segundo dados do site especializado MarineTraffic, uma parte dos petroleiros deu meia volta ou parou antes de cruzar o estreito neste sábado.
As restrições ao tráfego no estreito são consideradas mais preocupantes para o mercado mundial de petróleo do que eventuais impactos de interrupções do fluxo de petróleo iraniano.
O Irã possui a quarta maior reserva provada de petróleo bruto do mundo, mas anos de sanções e falta de investimentos limitaram suas exportações. O país produziu 3,45 milhões de barris por dia (bpd) em janeiro, segundo a Agência Internacional de Energia –menos de 3% da oferta global no período. Quase toda a produção vai para a China.
O banco britânico Barclays elevou neste sábado a previsão para o preço futuro do petróleo Brent de US$ 80 para cerca de US$ 100 por barril, após o ataque.
“Os mercados de petróleo podem ter que enfrentar seus piores temores na segunda-feira. No momento, acreditamos que o Brent pode chegar a US$ 100 (por barril), enquanto o mercado lida com a ameaça de uma potencial interrupção no fornecimento em meio à crescente tensão de segurança no Oriente Médio”, afirmou o banco em um relatório.
Os preços do petróleo subiram cerca de 2% na sexta-feira (27), com os investidores se preparando para possíveis interrupções no fornecimento. O Brent fechou a US$ 72,48 o barril.
Leia Também: Apesar do lema 6×1, prioridade do governo é redução de jornada para 40 horas, diz ministro



