
O advogado da empresa, Simon Ndiaye, anunciou a intenção após ser conhecida a sentença do Tribunal da Relação de Paris, considerando que a condenação “responde a considerações que nada têm a ver com justiça, lei ou segurança”.
Este recurso para a mais alta instância judicial francesa não implica um novo julgamento dos factos do acidente, mas sim avaliar se o Tribunal da Relação aplicou a lei francesa corretamente.
Segundo justificou a empresa, a Airbus avançou com o recurso para garantir uma “revisão estrita das complexas questões de direito e do nexo de causalidade técnica” levantados ao longo do caso.
O Tribunal da Relação de Paris reverteu hoje uma absolvição anterior e considerou a construtora aeroespacial, em conjunto com a companhia aérea Air France, culpadas de homicídio involuntário de 228 pessoas no acidente do voo Rio-Paris, que se tornou o mais mortífero da aviação francesa.
O acidente aconteceu a 01 de junho de 2009, quando o voo 447 da Air France se despenhou no oceano Atlântico a meio da noite, poucas horas após ter descolado, matando 216 passageiros e 12 tripulantes.
As caixas negras mostraram que, na base do acidente, esteve o congelamento dos sensores que medem a velocidade do avião durante o voo.
Segundo o tribunal, as duas empresas foram “única e inteiramente responsáveis” pela queda do avião.
As companhias tinham sido, em abril de 2023, absolvidas em primeira instância, mas com a reversão desta decisão, foram condenadas a pagar uma multa no valor máximo de 225 mil euros.
Para as famílias das 228 pessoas mortas, esta decisão “condenou, pela primeira vez, empresas aeronáuticas multinacionais” e colocou a segurança “acima de todas as outras considerações económicas”, como afirmou a presidente da Associação de Ajuda Mútua e Solidariedade AF 447, Danièle Lamy.
No entanto, com este novo recurso anunciado pela Airbus, o desfecho judicial definitivo do caso poderá ainda demorar mais alguns anos.



