24 junho, 2026

AIEA afirma que inspetores visitarão instalações nucleares no Irão



O comentário do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, foi o mais firme até à data vindo da agência das Nações Unidas, considerada fundamental para determinar o estatuto do arsenal nuclear iraniano.

Desde que Israel iniciou uma guerra de 12 dias contra o Irão em 2025, a AIEA tem sido impedida por Teerão de visitar as instalações de enriquecimento de urânio. O Irão há muito que afirma que o seu programa é pacífico.

Os EUA e o Irão fizeram declarações contraditórias na terça-feira sobre se os locais seriam inspecionados.

“Percebo as declarações políticas, fazem parte da realidade, mas o ponto fundamental que gostaria de recordar e realçar é que houve um memorando de entendimento, assinado por ambos os presidentes”, disse Grossi aos jornalistas numa conferência de imprensa na central nuclear de Fukushima Daiichi, atingida por um tsunami em 2011.

O acordo “afirma explicitamente que as atividades nucleares que serão realizadas em relação às instalações de material nuclear serão supervisionadas pela AIEA — em todos os seus termos”, disse.

“Obviamente, para isso, teremos de inspecionar. Se isso acontecer depois de amanhã, daqui a uma semana ou daqui a 10 dias, é importante, mas não essencial. Isso vai acontecer”.

As inspeções são fundamentais para o acordo, que prevê que as reservas de urânio do Irão sejam diluídas de níveis altamente enriquecidos.

Na terça-feira, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghaei, disse aos jornalistas em Teerão que os inspetores da ONU não estavam programados para examinar instalações nucleares bombardeadas pelos EUA em 2025, rejeitando comentários feitos um dia antes pelo vice-presidente norte-americano, JD Vance.

A AIEA foi autorizada a visitar outras instalações nucleares no Irão desde a guerra de 12 dias em 2025, como a central nuclear de Bushehr.

Mas, sem acesso às instalações de enriquecimento, a AIEA afirma não poder verificar o estado do ‘stock’ do Irão nem inspecionar as cascatas de centrifugadoras utilizadas para enriquecer urânio.

Tanto o Irão como a AIEA afirmam que Teerão não está a enriquecer urânio, mas os especialistas em não-proliferação temem que a República Islâmica possa estar a transferir o seu ‘stock’ para áreas não declaradas.

Os EUA e o Irão concordaram com um acordo na semana passada que exige que Teerão dilua o seu ‘stock’ de urânio enriquecido, em troca da suspensão das sanções impostas por Washington, dando a cada lado 60 dias para elaborar acordos mais amplos.

Mas o cessar-fogo já foi testado pelo Irão, devido a confrontos entre Israel e a milícia pró-iraniana Hezbollah, no Líbano.

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