13 fevereiro, 2026
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AD e Chega: Histórica do PSD entrega cartão de militante após "alianças"



A antiga secretária de Estado do Trabalho Manuela Aguiar entregou o cartão de militante do Partido Social Democrata (PSD) devido à desilusão com as políticas de imigração do Governo da AD, assim como pela ‘colagem’ ao Chega.

 

Em declarações à TSF, aquela que foi a primeira mulher com cartão de militante do PSD a exercer funções num governo explicou que durante o primeiro executivo que Luís Montenegro chefiou “estava completamente “aplacada, porque havia uma linha vermelha, o ‘Não é não’.”

“Quando no segundo Governo eu começo a ver as alianças constantes na Assembleia da República entre o PSD e o Chega naquelas questões que eram as últimas em que eu esperava que o PSD alinhasse e ultrapassasse a linha vermelha… Em Portugal, com estas – digamos – fake news e com a criação do que se chamam agora as perceções, criou-se uma percepção completamente errada da imigração”, referiu.

“Não temos imigrantes a mais, temos serviços a menos para legalizar os imigrantes”, considerou, sublinhando que os imigrantes são “absolutamente precisos à nossa Economia.

Confessando-se preocupada, sim, com “os traficantes de imigração”, defendeu: “Estamos, eventualmente, a negar à nossa imigração as condições de ela ser o que é: uma imigração pacífica, uma imigração útil e uma imigração que nos traz um enriquecimento cultural.”

“Defendi isto para os portugueses em qualquer país do mundo e defendo isto para os estrangeiros em Portugal”, notou, acrescentando: “Uma pessoa que defende isto e que vê as coisas assim, dificilmente pode estar no PSD e é impossível estar no PSD de hoje.”

Dirigentes a invocarem Sá Carneiro? “Verdadeiro horror”

A histórica social-democrata disse ainda à emissora que o PSD é hoje um partido totalmente distinto daquele que foi fundado por Francisco Sá Carneiro e que é para ela “um verdadeiro horror” ouvir alguns dirigentes políticos invocarem o nome deste.

“É um partido que tem o ministro [da Presidência, António] Leitão Amaro, que diz que com a nova lei da nacionalidade, uma das mais restritivas da Europa, Portugal é mais Portugal. Eu acho que não, que não é mais Portugal, acho que é menos”, criticou.

Mas Manuela Aguiar não se ‘ficou’ por Leitão Amaro, falando de declarações que Hugo Soares fez em relação às presidenciais de 2024 nos EUA: “Um secretário-geral, que, nas eleições americanas, entre Kamala Harris e Trump, dizia que não sabia muito bem qual havia de escolher, o que quer dizer que é trumpista, porque as pessoas têm vergonha de dizer que são definitivamente Trump.”

Maria Manuela Aguiar nasceu em 1942, em Gondomar, no distrito do Porto, tendo-se licenciado em Direito. Foi Secretária de Estado do Trabalho (1978-79), no governo de Mota Pinto, e assumiu depois a secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas no governo de Francisco Sá Carneiro.

De acordo com o site do Assembleia da República, foi “sempre voz ativa em nome dos emigrantes portugueses, preocupada com os seus direitos e reconhecimento do seu contributo dos países de acolhimento, é num núcleo específico, das mulheres migrantes, que desenvolve o seu trabalho.”

“Juntamente com outras mulheres, como Maria Barroso, apoiou associações de mulheres, tendo sido uma das fundadoras da Comissão para a Igualdade no Trabalho e Emprego e a Associação Mulher Migrante (CITE)”, lê-se ainda.

Lei dos Estrangeiros aprovada na AR (após acordo entre PSD e Chega)

Votação foi realizada esta terça-feira, 30 de setembro, na Assembleia da República (AR). O decreto foi aprovado com os votos favoráveis do PSD, Chega, CDS-PP, JPP e Iniciativa Liberal (IL) e votos contra da bancada do PS, Livre, PCP e Bloco de Esquerda (BE) e PAN.

Natacha Nunes Costa com Lusa | 13:03 – 30/09/2025



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