
Keir Starmer, que deixa as suas funções na segunda-feira, tinha anunciado este projeto para combater a imigração ilegal.
A medida tinha gerado uma forte preocupação num país há muito avesso aos controlos de identidade e onde não existe bilhete de identidade, alimentada por um fluxo contínuo de desinformação vinda da extrema-direita.
“Todo o tempo e todos os recursos que iam ser dedicados a este projeto de cartão de cidadão digital serão, em vez disso, afetados onde são mais necessários, nomeadamente para ajudar a enfrentar o custo de vida”, declarou o porta-voz.
Andy Burnham, também membro do Partido Trabalhista, assume funções num contexto de crise prolongada do custo de vida, que contribuiu para tornar Keir Starmer um dos primeiros-ministros mais impopulares das últimas décadas.
A sua prioridade será relançar a economia e melhorar o nível de vida dos britânicos, atingidos pela escalada dos preços da energia e dos produtos alimentares desde o início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
Apesar do abandono do projeto do cartão de cidadão digital, o seu Governo continuará a combater o trabalho ilegal, apoiando-se nos progressos alcançados por Keir Starmer, acrescenta num comunicado.
O projeto de Starmer consistia em introduzir, até 2029, um cartão de cidadão digital nacional. Este não seria obrigatório, mas sim necessário para comprovar o direito ao trabalho.
Figuras da extrema-direita, que se opunham ao projeto tal como a maioria dos partidos da oposição, apresentaram-no como um novo meio de o Governo controlar a vida dos cidadãos.
Posteriormente, o Governo tinha recuado na sua decisão de o tornar obrigatório para trabalhar.
O custo deste programa tinha sido estimado em 1,8 mil milhões de libras esterlinas (mais de 2,1 mil milhões de euros) ao longo de três anos.



