5 julho, 2026

Hussam Abu Safiya, médico palestiniano detido, está em estado crítico



Hussam Abu Safiya, que ocupava o cargo de diretor do Hospital Kamal Adwan, no norte de Gaza, tornou-se o rosto dos profissionais de saúde que lutavam para tratar doentes durante a guerra entre Israel e o Hamas.

Safiya liderou a instituição durante um cerco de 85 dias imposto pelas forças armadas israelitas, divulgando vídeos nos quais implorava por ajuda, antes de ser detido em dezembro de 2024. Ainda não lhe foram apresentadas acusações.

As forças armadas israelitas afirmaram que Abu Safiya, de 53 anos, estava a ser investigado por suspeita de cooperação com o Hamas ou de trabalhar para esta organização. Os colaboradores e as organizações de ajuda internacional que trabalharam com ele negam estas alegações.

A organização Médicos pelos Direitos Humanos de Israel e o advogado de Abu Safiya, Nasser Odeh, afirmaram que Abu Safiya parecia extremamente fraco e tinha dificuldade em manter-se sentado direito durante uma visita realizada em 02 de julho. Odeh referiu que ele apresentava lesões recentes na cabeça, à volta dos olhos, das orelhas e do pescoço, e que tinha dificuldade em respirar.

Odeh e a organização não governamental afirmaram ter apresentado um pedido para que Abu Safiya fosse transferido para outra instalação.

Abu Safiya foi vítima de abusos físicos e psicológicos e foi mantido em regime de isolamento durante longos períodos, afirmou Odeh na sequência de uma audiência no Supremo Tribunal de Israel, em junho, na qual contestou a detenção prolongada do médico, sem acusação.

Abu Safiya apareceu brevemente em vídeo durante essa audiência, com um ar pálido e abatido e com marcas semelhantes a chicotadas em ambos os braços.

O Serviço Prisional de Israel classificou as alegações como “falsas e totalmente desprovidas de fundamento factual”.

O serviço prisional recusou-se a discutir o caso diretamente, invocando questões de privacidade, mas afirmou que todos os prisioneiros e detidos são mantidos em conformidade com a lei e recebem cuidados médicos com base nas diretrizes do Ministério da Saúde.

“O Serviço Prisional de Israel rejeita as alegações de maus-tratos, tortura, privação de alimentos ou recusa de tratamento médico”, afirmou o serviço prisional.

Em outubro de 2025, as autoridades de Israel prorrogaram por mais seis meses a detenção do médico.

“A decisão foi tomada apesar de o nome do meu pai ter sido anteriormente incluído nas listas de libertação em troca de reféns, o que redobra a ansiedade e a perplexidade entre a sua família e todos aqueles que defendem a sua causa humanitária”, denunciou, na altura, um dos seus filhos, Idris, num comunicado publicado na rede social Instagram.

Israel tem enfrentado críticas severas devido ao tratamento dispensado aos prisioneiros e detidos palestinianos desde o início da guerra com o Hamas, em outubro de 2023. Organizações de direitos humanos e as Nações Unidas têm alegado padrões sistemáticos de abuso.

O número de palestinianos detidos por Israel aumentou drasticamente após o início da guerra e milhares continuam detidos. A Associated Press já tinha noticiado anteriormente as condições desastrosas nas prisões.

A guerra entre Israel e o Hamas começou a 07 de outubro de 2023, depois de o grupo militante sediado em Gaza ter liderado um ataque ao sul de Israel, matando cerca de 1.200 pessoas e fazendo 251 reféns.

Desde então, mais de 73.000 palestinianos foram mortos na ofensiva israelita em Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde do território, que não faz distinção entre civis e combatentes.

O movimento palestiniano Fatah, principal força política da Autoridade Palestiniana na Cisjordânia, anunciou hoje a morte, aos 68 anos, de Maher Yunis, conhecido por ter sido um dos dois presos palestinianos que mais tempo permaneceram em prisões israelitas.

Lusa | 15:12 – 05/07/2026



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