25 junho, 2026

Operadoras moçambicanas pedem soluções inovadoras e preços estáveis



“Temos um desafio de acessibilidade, mas precisamos de soluções inovadoras (…). Para implementar essas soluções, precisamos de um ambiente de preços estáveis que permitam investimento”, disse Simon Katikari, diretor-executivo da Vodacom, empresa privada de telefonia móvel em Moçambique.

O responsável falava hoje, em Maputo, na quinta Conferência Nacional das Comunicações, participando como orador no quinto painel subordinado ao tema “Tarifas dos Serviços de Comunicações e Dinâmica Concorrencial no Mercado”.

O representante apontou entre os desafios do setor das comunicações os preços elevados que prejudicam a sustentabilidade das empresas, sobretudo das telefonias móveis, pedindo ao regulador medidas para garantir equilíbrio entre a acessibilidade e o investimento.

“Precisamos de uma estrutura e disciplina de preços que permitam investimento sustentável. E aqui, por vezes, o regulador tem um papel importante – como um árbitro – para intervir e organizar o mercado, criando condições para um setor sustentável e atraente para investidores”, frisou Simon Katikari.

O diretor-executivo recordou ainda que as autoridades autorizaram, recentemente, a partilha de infraestruturas, com os serviços de ‘roaming’, entre as empresas de telecomunicações, destacando avanços nessa medida, que considera importante implementar “de forma mais ampla e comercial, para reduzir custos e melhorar os serviços”.

Segundo Katikari, os equipamentos e dispositivos usados pelas empresas são totalmente importados de vários pontos do mundo, tornando “insustentável” garantir a disponibilidade de serviços no país.

“Os custos são superiores às receitas ou aquilo que estamos a vender é significativamente barato. Quando isto acontece durante muito tempo, verá que a qualidade da rede se deteriora, haverá cada vez menos investimento em conectividade futura e, eventualmente, o serviço também se degradará”, alertou o diretor-executivo, referindo que as empresas poderão encerrar as atividades caso os desafios, agravados pela crise de combustíveis, persistam.

Já o presidente do Conselho Executivo da estatal TMCEL, Muhammed Mussa, pediu a criação de condições para assegurar redução de preços nos serviços de comunicação, alinhando as políticas de mercado grossista à realidade nacional.

Segundo o representante da TMCEL, os serviços de rede em ‘roaming’ já em curso desde maio de 2026, estão ajudar a expandir a cobertura nacional, mas considera importante alavancar esse aspeto, além do reforço da previsibilidade regulatória, a implementação de políticas “mais eficazes” de inclusão digital sustentável, a promoção da inovação, que pode ser baseada na qualidade de procura de serviços digitais.

O administrador da empresa privada Movitel, Francisco Chate, propôs a criação de política tarifária para garantir um retorno às operadoras face aos desafios, reduzindo-se também as taxas de importação para criar equilíbrio e acesso de serviços nas zonas remotas.

“[Quanto às reformas] vou dar prioridade às zonas remotas, a redução das taxas, não um período muito longo, mas num período mais curto, para que possamos recuperar o investimento a médio prazo e também a questão da redução das taxas de proteção e absolutamente no setor de comunicações”, apontou o administrador da Movitel.

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