
Os dados do Gabinete Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) indicam que, faltando apenas 3,42% da contagem, o líder do partido Juntos pelo Peru tem 50,112% dos votos válidos, contra 49,888% da líder da Força Popular.
A diferença de 0,224% entre ambos os candidatos, equivalente a 39.897 votos. Sánchez soma, até ao momento, 8.960.275 votos, contra 8.920.378 de Fujimori.
Apesar da ligeira vantagem que o candidato de esquerda mantém pelo segundo dia consecutivo, os especialistas reiteram que o resultado será muito renhido e que a contagem da totalidade dos votos provenientes do estrangeiro pode inclinar a balança a favor de Fujimori.
A ONPE contabilizou, até ao momento, 98,165% dos votos expressos no território peruano e 40,5% dos votos da diáspora.
Neste último caso, Fujimori recebe, até ao momento, 62,671% dos votos escrutinados, equivalente a 76.140 boletins, enquanto Sánchez tem 37,329%, resultante de 45.351 votos expressos.
Na terça-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Peru informou que implementou uma “rigorosa cadeia de custódia” para a recolha do material eleitoral proveniente de 119 consulados no estrangeiro, que chegam a Lima sob a custódia do serviço diplomático.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou, nesse sentido, que para esta quarta-feira “está prevista a conclusão da recolha do material proveniente dos últimos postos consulares” em todo o mundo.
Enquanto a expectativa se mantém, o partido de Sánchez defendeu as projeções de duas empresas de sondagens privadas com uma amostra dos votos expressos no domingo passado na segunda volta eleitoral, que deram como vencedor o candidato por uma margem estreita, e anunciou ações “para defender o voto popular”.
Fujimori, por sua vez, declarou que tem “muita esperança” nos votos provenientes do estrangeiro e nos votos registados nas atas com observações, que, até ao momento, são 1.554, embora tenha insistido que se deve aguardar com prudência a conclusão da contagem dos votos.
Os observadores da União Europeia às presidenciais no Peru destacaram na terça-feira a ordem e transparência na segunda volta, realizada no domingo, mas criticaram a lentidão na proclamação dos resultados e denunciaram a discriminação e racismo contra um partido de esquerda.
“A organização das eleições foi realizada corretamente. O dia das eleições decorreu num ambiente calmo e ordenado, embora com alguns incidentes isolados, e os observadores da UE valorizaram positivamente os processos de votação e contagem”, disse a chefe da missão eleitoral, Annalisa Corrado, numa conferência de imprensa, citada pela agência espanhola EFE.
“A campanha, de baixa intensidade, decorreu em grande parte de forma pacífica, embora tenham havido casos de racismo e discriminação”, disse Corrado, acrescentando que o discurso hostil e discriminatório estabelecido durante a primeira volta foi dirigido principalmente contra as candidatas a vice-presidente de Sánchez, Analí Huanca e Brígida Curo.



