29 maio, 2026

Putin tem dúvidas e quer provas sobre origem do drone que atingiu Roménia



Numa conferência de imprensa em Astana, no final de uma visita de três dias ao Cazaquistão, onde participou na cimeira da União Económica Eurasiática (UEE), Vladimir Putin mostrou-se disponível para ordenar uma “investigação objetiva” ao primeiro incidente deste tipo com feridos em território de um Estado-membro da União Europeia (UE) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

“A Rússia está disposta a realizar uma investigação objetiva se lhe forem entregues os destroços do drone que se despenhou na Roménia”, declarou Putin, citado pela agência de notícias russa TASS, numa primeira reação ao incidente.

O Presidente russo considerou imprescindível a realização dessa investigação porque “ninguém pode afirmar com certeza qual é a origem do drone até que os destroços sejam examinados”, recordando que não seria a primeira vez que um drone ucraniano cai num país vizinho.

“Os drones ucranianos já sobrevoaram vários países, e a primeira reação foi sempre a de que os russos estavam a atacar”, acrescentou o chefe de Estado russo, referindo-se à explosão na cidade de Galati, que elevou o nível de alerta entre os aliados da Aliança Atlântica.

O incidente levou a Roménia a declarar ‘persona non grata’ o cônsul-geral russo no país e a encerrar o consulado, com Moscovo a ameaçar “medidas de retaliação”.

“As medidas de retaliação […] não se farão esperar”, assegurou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, às agências de notícias russas.

Zakharova afirmou que os países ocidentais estão a “fazer barulho” em torno do incidente para “desviar a atenção” de um ataque da Ucrânia contra uma residência de estudantes na região ocupada de Lugansk, que resultou em 21 mortos.

A porta-voz da diplomacia russa acrescentou que a Roménia precisava de algo para justificar o encerramento do consulado russo no país e que conseguiu agora.

Momentos antes, o Kremlin tinha afirmado que Putin foi informado sobre o incidente com um drone que, segundo Bucareste, é de fabrico russo e colidiu com um edifício residencial numa cidade romena, perto da fronteira com a Ucrânia.

“O que é que vocês pensavam? Que íamos esconder isso [do Presidente]?”, disse o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, à imprensa em Astana por ocasião da cimeira da UEE, liderada por Moscovo e que integra também Arménia, Bielorrússia, Cazaquistão e Quirguistão.

O drone colidiu contra um edifício de apartamentos na cidade romena de Galati, perto da fronteira com a Ucrânia, provocando um incêndio que causou ferimentos ligeiros a duas pessoas, disseram as autoridades do país.

A Roménia anunciou que vai tomar medidas proporcionadas na sequência deste incidente e solicitou à NATO que mobilize mais meios antiaéreos no país.

A decisão foi anunciada horas depois de o Governo romeno ter convocado o embaixador russo para prestar esclarecimentos sobre o incidente, classificado por Bucareste como “extremamente grave”.

Nicusor Dan convocou uma reunião extraordinária do Conselho Supremo de Defesa Nacional romeno para avaliar as implicações do incidente.

A Roménia, membro da NATO e da UE, partilha uma extensa fronteira com a Ucrânia e tem registado vários incidentes relacionados com a guerra desencadeada pela Rússia, incluindo a queda de destroços de drones em zonas próximas da fronteira.

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