O julgamento do sargento aposentado da Polícia Militar acusado pela morte da esposa, Ivone Oliveira, chegou ao fim em Ji‑Paraná com uma decisão que reacendeu debates sobre tratamento de crimes contra a mulher no sistema de justiça. Após horas de deliberações no Tribunal do Júri, os jurados absolveram o réu da acusação de feminicídio e o condenaram apenas por homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar. A pena aplicada foi de 1 ano e 2 meses de prisão.
A sentença provocou indignação entre os familiares de Ivone, que acompanharam o processo desde o início e afirmaram acreditar que as provas apresentadas apontavam para um crime com clara intenção de matar. O Ministério Público sustentou ao longo do julgamento a tese de feminicídio, mas a maioria dos jurados entendeu que não houve dolo de eliminar a vítima pelo fato de ser mulher, e sim um homicídio cometido em contexto de discussão.
O crime ocorreu em agosto de 2023, dentro da residência do casal, no bairro São Cristóvão, em Ji‑Paraná. Ivone Oliveira foi morta após ser atingida por disparos de arma de fogo durante uma discussão. O acusado permaneceu preso preventivamente por cerca de três anos durante o tramite do processo, período que, somado à pena de 1 ano e 2 meses, acabou fazendo com que a condenação fosse considerada praticamente cumprida, devendo ele responder em liberdade.
A decisão do Tribunal do Júri também gerou forte repercussão nas redes sociais, onde moradores e amigos de Ivone expressaram revolta com o desfecho e cobraram maior rigor na apuração de casos de violência doméstica e contra a mulher.




