6 maio, 2026

Hantavírus. Desembarque de passageiros nas Canárias será feito assim



O ministério da Saúde espanhol confirmou que decidiu acolher os passageiros do navio de cruzeiro Hundius, onde já se confirmaram, pelo menos, sete casos de Hantavírus.

 

A decisão, referiu o governo espanhol, foi tomada com base no cumprimento do Direito Internacional e do espírito humanitário.

O processo será feito, contudo, com base em procedimentos e regras especificas, numa operação que gera algumas preocupações.

Recorde-se que a bordo do navio várias pessoas poderão estar infetadas com a  síndrome respiratória hantavirus, que já fez três mortos.

Porquê Espanha?

O navio em causa, recorde-se, partiu da Argentina, rumo a Cabo Verde, com mais de 140 pessoas a bordo. Foi aqui que foram diagnosticados os primeiros casos da doença, embora se acredite que a infeção original tenha acontecido fora do navio.

A OMS considera que Cabo Verde não tem condições para realizar esta operação e a escolha das Ilhas Canárias prende-se com o facto de ser o local mais próximo com as capacidades necessárias. 

“Espanha tem a obrigação moral e legal de ajudar estas pessoas, entre as quais se encontram também vários cidadãos espanhóis”, referiu a OMS.

Como será feito o desembarque?

A ação de desembarque será realizada em coordenação com a União Europeia. O governo espanhol divulgará os detalhes deste protocolo assim que forem definidos pela OMS e pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC). 

Para já, sabe-se, segundo o ABC, que está a ser realizada uma inspeção exaustiva ao navio para determinar quais as pessoas que devem ser retiradas com urgência em Cabo Verde. É o caso, por exemplo, de um médico que está em estado grave.

Os restantes passageiros continuarão rumo às Canárias, onde se espera que cheguem dentro de três ou quatro dias. O porto específico do arquipélago ainda não foi definido, informou o ministério da Saúde. Uma vez lá, a tripulação e os passageiros serão devidamente examinados, atendidos e transferidos para os respetivos países.

O processo será coordenado através de um protocolo comum de gestão de casos e contactos elaborado pela OMS e pelo ECDC.

Tanto os cuidados médicos como os transportes serão realizados em espaços e meios de transporte especiais habilitados para esta situação, evitando qualquer contacto com a população local e zelando em todos os momentos pela segurança do pessoal de saúde, referem os meios de comunicação social espanhóis.

Antes disso, proceder-se-á à retirada dos casos suspeitos que permanecem a bordo em aviões médicos para tratamento em unidades de saúde de alto isolamento. Os dois casos sintomáticos serão encaminhados para os Países Baixos a partir de Cabo Verde. O contacto de alto risco será colocado em quarentena na Alemanha, informou o departamento liderado pela ministra Mónica García.

Desembarque acontecerá?

Entretanto, apesar da confirmação do ministério da Saúde espanhol no sentido de acolher o navio nas ilhas Canárias, o líder do governo regional já se mostrou contra esta decisão e pediu uma reunião urgente com o primeiro-ministro, Pedro Sánchez.

Fernando Clavijo quer evitar que o cruzeiro com o surto de hantavírus faça escala nas ilhas, defendendo que a decisão não obedece a “nenhum critério técnico” nem existe “informação suficiente para manter uma mensagem de calma e garantir a segurança da população canária”

O navio, com 149 pessoas de 23 nacionalidades fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde saiu a 20 de março, e as ilhas Canárias, com paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.

A OMS confirmou até agora dois casos de hantavírus no cruzeiro e cinco casos suspeitos.

Os dois casos confirmados são o de uma mulher que teve contacto próximo com o passageiro que morreu no dia 11 de abril e o de um passageiro que foi retirado do navio e transportado para Joanesburgo, onde está em estado grave nos cuidados intensivos.

Os cinco casos suspeitos são os dois passageiros que morreram em 11 de abril (um homem) e 2 de maio (uma mulher) e três que estão a bordo com sintomas gastrointestinais e/ou febre alta, dois deles elementos da tripulação.

O que é o hantavírus?

Os hantavírus podem passar de animais para humanos, geralmente quando as pessoas inalam poeira ou minúsculas partículas expelidas pela urina, fezes ou saliva de roedores infetados, particularmente em locais fechados ou mal ventilados.

Nas Américas, alguns hantavírus podem causar a síndrome pulmonar por hantavírus, uma doença grave caracterizada por febre e sintomas gerais, seguidos por insuficiência respiratória aguda.

A maioria dos hantavírus não se transmite de pessoa para pessoa. A exceção é o vírus Andes, relatado principalmente em partes da América do Sul e que já mostrou conseguir espalhar-se entre humanos.

Ainda se desconhece a origem da infeção neste cruzeiro, assim como o hantavírus específico envolvido.

A OMS avalia atualmente como baixo o risco decorrente deste surto para a população global.

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