
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) aprovou por unanimidade nesta semana suas contas referentes ao ano de 2025, com um déficit de R$ 182,5 milhões, revertendo o superávit de R$ 106,6 milhões do exercício anterior.
De acordo com a entidade, o déficit é “reflexo de grandes investimentos realizados para a regularização de passivos deixados por gestões anteriores.”
Entre os investimentos, a CBF citou como o principal do período uma indenização de cerca de R$ 80 milhões ao clube cearense Icasa, aprovada em dezembro, para dar fim a um processo iniciado em meados de 2013.
Naquele ano, o Icasa terminou a Série B do Campeonato Brasileiro em quinto lugar na tabela de classificação, a uma posição do G4 -os quatro primeiros subiram à Série A.
O clube entrou com processo na Justiça Desportiva sob a alegação de que o Figueirense, quarto colocado, com um ponto a mais, teria escalado o volante Luan Niezdzielski de maneira irregular durante duelo contra o América-MG. O Icasa pediu na ação que o time catarinense perdesse os pontos pela vitória por 4 a 2, no estádio Independência.
A CBF reconheceu o erro apenas posteriormente, mantendo os resultados em campo, mas recorreu da decisão da Justiça em favor do Icasa, o que prolongou o caso por mais de uma década.
“O balanço me pareceu em ordem. Assusta ver déficit, mas as explicações fazem sentido, considerando uma entidade que está resolvendo pendências do passado, como a dívida com o Icasa”, afirmou César Grafietti, economista e sócio da consultoria Convocados.
A CBF destacou ainda que também pesou para o resultado financeiro negativo do ano passado o acordo de patrocínio com a fornecedora de material esportivo Nike, que previa uma antecipação de receitas para o exercício de 2024.
“Enfrentamos problemas e assumimos o compromisso de reorganizar finanças, regularizar dívidas trabalhistas e com clubes. Este investimento vai nos trazer frutos”, declarou Samir Xaud, presidente da CBF.
Ainda conforme o balanço apresentado, a receita líquida da entidade registrou queda de 9% em 2025, para R$ 1,1 bilhão.
“Com relação à receita, a análise basicamente tem que ser feita em cima de patrocínio e direitos de transmissão e comerciais, que representam 90%, em média”, disse Fernando Trevisan, diretor-geral da Trevisan Escola de Negócios e especialista em gestão e marketing esportivo.
As receitas da CBF com patrocínio voltaram a cair -movimento que já vem desde 2021-, com recuo de 3%, para R$ 438 milhões, aproximadamente, enquanto as receitas com transmissões e comerciais tiveram queda, de 12%, para cerca de R$ 638 milhões.
“Há uma percepção de que talvez a CBF, depois de anos de más gestões e casos de corrupção, e o próprio desempenho da seleção brasileira, tenha reduzido o interesse das marcas em se associar a ela”, afirmou Trevisan.
Já os investimentos da CBF nas seleções brasileiras somaram cerca de R$ 420 milhões, o que corresponde a um crescimento de 22% em relação ao ano anterior, “reflexo do compromisso crescente da CBF com a excelência esportiva, o resgate do prestígio da ‘Amarelinha’ e o fortalecimento da marca Brasil no cenário mundial”, afirmou Xaud.
No entanto, enquanto o investimento na seleção masculina cresceu quase 40%, para R$ 281 milhões, no caso do time feminino, houve uma queda de 22%, para R$ 94 milhões.
“A diferença de gastos com a seleção masculina ainda é gritante, quase três vezes maior”, observou Trevisan.
Os repasses às federações estaduais, por sua vez, avançaram 32% no período, somando R$ 80 milhões, “refletindo o apoio crescente ao desenvolvimento do futebol nas 27 federações do país -abrangendo as competições de base, a formação de novos atletas, a solidificação do futebol feminino, a garantia de calendário para o futebol masculino profissional e o desenvolvimento e modernização da infraestrutura nos estados, com especial atenção à qualificação de gramados e estádios”, afirmou Xaud.
O investimento total da CBF no futebol atingiu aproximadamente R$ 1,18 bilhão em 2025, crescimento de cerca de 9% em relação ao ano anterior.
“A nova gestão, que assumiu ao longo de 2025, vem conduzindo um processo consistente de modernização e reestruturação interna da confederação. As medidas já implementadas e em curso em 2026 -entre as quais a introdução do fair play financeiro, a profissionalização da arbitragem e a otimização do calendário nacional- sinalizam um compromisso concreto com o avanço e a credibilidade do futebol brasileiro”, disse o presidente da entidade.
Durante a assembleia realizada na segunda-feira (27), também foi aprovada a receita de R$ 2,7 bilhões para o exercício de 2026.
“O cenário é saudável, com aplicações de quase R$ 2 bilhões, nenhuma dívida, e perspectiva de aumento de receitas em ano de Copa do Mundo”, afirmou Grafietti.
RECEITAS DA CBF EM 2025
Em milhares de reais
Receita bruta – 2025 – 2024
Bilheteria e Premiações – 54.828 – 66.963
CBF Academy – 4.591 – 5.957
Direitos de Transmissão e Comerciais – 637.903 – 723.900
Patrocínios – 437.931 – 451.397
Programa de Desenvolvimento – 7.041 – 15.724
Registros e Transferências – 51.034 – 38.393
Total – 1.193,33 – 1.302,33
Fonte: CBF
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